Um levantamento do podcast Duas e Tanto, apresentado pelas jornalistas Carol Pires e Marina Dias, recuperou votações e declarações de Flávio Bolsonaro (PL) sobre direitos das mulheres ao longo de sua trajetória política. O tema ganhou repercussão após o presidente Lula questionar o senador e candidato à presidência da República, no debate da Band, sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade de servidoras públicas do Rio de Janeiro, em 2009, quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Na ocasião, Flávio foi o único parlamentar a votar contra a proposta, aprovada por 54 votos a um, que ampliava o benefício de quatro para seis meses.
O senador não respondeu a questão e se limitou a dizer que respeita muito as mulheres, como sua esposa e suas duas filhas.
A falta de resposta de Flávio Bolsonaro às questões de Lula são um dos fatores que levam o cientista político Josué Medeiros a considerar que o candidato do PT venceu o debate em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Observatório Político Eleitoral (Opel), a atitude evasiva afasta o eleitor indeciso ao “criando uma imagem do candidato que tá fugindo” de temas espinhosos como o caso do pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro preso e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Além disso, Medeiros destaca o desafio de transparência financeira proposto por Lula como “um golaço” por surpreender o adversário e deixá-lo “sem saída, que não soube como reagir”. Ele aponta ainda que o tom agressivo e debochado do oponente acabou “alimentando no eleitor uma certa rejeição”, projetando que a tendência “nas redes e nas ruas é de repercutir bem o desempenho do Lula e repercutir mal o desempenho do Flávio”.
Mais posicionamentos contra as mulheres
O levantamento também resgata episódios de sua atuação na Alerj, onde foi deputado estadual entre 2003 e 2019. Em 2008, Flávio votou contra um projeto que permitia o recolhimento de armas de policiais acusados de violência doméstica. Segundo registros taquigráficos, ele argumentou que agentes poderiam ser vítimas de denúncias falsas e perder seu instrumento de trabalho.
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Outro episódio ocorreu em 2005, quando o parlamentar foi o único a votar contra uma lei que proibia cartões-postais com imagens de mulheres seminuas associados a pontos turísticos do Rio, material que promovia o estado como destino de turismo sexual. No ano seguinte, voltou a votar contra a aplicação de multas aos comerciantes que continuassem vendendo os cartões. Durante a discussão, afirmou que “a mulher brasileira também é um patrimônio turístico do nosso país”. A deputada Inês Pandeló repudiou a declaração em plenário. A proposta de multa foi aprovada por 37 votos a um.
A análise inclui ainda o voto contrário à criação do Diploma Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 2008, além de posicionamentos sobre ações afirmativas e representatividade de gênero e raça. No Senado, Flávio votou contra a reorganização ministerial que recriou o Ministério das Mulheres e apoiou a proposta de anistia a partidos políticos por descumprimento de regras de financiamento de candidaturas de mulheres e pessoas negras.
O levantamento reúne registros legislativos e declarações públicas que permitem examinar o posicionamento do senador em pautas relacionadas à proteção e aos direitos das mulheres, tema que ganhou espaço no debate eleitoral.


