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Violência é elemento constitutivo do bolsonarismo, afirma cientista político

Cláudio Couto avalia que pesquisas desta semana poderão indicar eventual impacto do debate

Flávio Bolsonaro participa do debate presidencial da Band
Flávio Bolsonaro participa do debate presidencial da Band | Crédito: Renato Pizzutto/Band

O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi para o debate neste domingo (18) na TV Band com o objetivo de sabotar o programa, orientado por figuras como Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Pablo Marçal. Essa é a leitura geral do cientista político Cláudio Gonçalves Couto em participação no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

O comportamento agressivo do senador, segundo o analista, expressa exatamente a filosofia bolsonarista. “A gente sabe que o bolsonarismo faz um culto à violência, tanto é que aquela mão de arminha é o sinal preferido deles. Eles tem a ideia de que o adversário não é um adversário, é um inimigo a ser combatido. A violência é um elemento constitutivo do bolsonarismo e do fascismo. Essa violência que foi identificada pelo público não é acidental, ela constitui o bolsonarismo”, afirma.

A pesquisa VoxBrasil divulgada neste domingo mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51% das intenções de voto e Flávio com 49%, o que significa empate técnico. O levantamento foi feito antes do debate, portanto, não capturou algum eventual efeito que possa ter tido. Couto afirma que é preciso esperar os resultados do Datafolha e da Quaest previstas para sair essa semana para entender se o confronto televisivo impactou alguma das campanhas.

“Grupos focais ouvidos a respeito do debate demonstraram uma insatisfação com o debate propriamente dito. E alguns com a postura específica do Flávio, vista como uma postura não respeitosa e pouco adulta. O desempenho do Lula também não foi um bom desempenho, porque parece que chegou destreinado, parecia não estar preparado para o que iria vir”, aponta.

O cientista político destaca que, em muitos momentos, Lula acabou caindo nas provocações do adversário demonstrando uma certa fragilidade. “Claro que às vezes a indignação pode gerar solidariedade, mas também passar fragilidade. Vamos ver se a pesquisa consegue capturar isso.”

Com relação à composição do Congresso a partir do ano que vem e como fica o Centrão nesse contexto, Cláudio Gonçalves Couto considera que não dá para ter grandes expectativas com relação aos partidos que compõem esse bloco. “O Centrão é muito oportunista, não é um agrupamento político que opera segundo a lógica do interesse republicano. Se fosse assim, vários partidos não teriam se posicionado a favor de Flávio como fizeram. Não teriam votado a favor da lei da dosimetria. A gente não pode esperar muito do Centrão”, argumenta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Lucas Estanislau

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