Hipocrisia

‘A extrema direita, no Brasil e no mundo, não quer enfrentar o crime organizado’, diz ex-ouvidor das polícias de SP

Benedito Mariano chama propostas de Flávio Bolsonaro para segurança de 'pura demagogia'

Flávio Bolsonaro participa de debate com o presidente Lula na Band
Flávio Bolsonaro participa de debate com o presidente Lula na Band | Crédito: Renato Pizzutto/Band

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) vai apurar o vazamento de dados sigilosos do programa de monitoramento de reconhecimento facial da gestão Ricardo Nunes (MDB), o Smart Sampa. A notícia, divulgada nesta terça-feira (20), levantou questionamentos a respeito de uma das propostas de segurança pública de Flávio Bolsonaro (PL) que foca exclusivamente nas câmeras e em inteligência artificial como solução milagrosa para a questão da criminalidade. O sistema Smart Sampa e suas falhas já foram objeto de reportagens do BdF.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Benedito Mariano, ex-ouvidor das polícias de São Paulo, afirma que o uso de câmeras e inteligência artificial deve ser uma ferramenta combinada com outras práticas de governança e de política de segurança pública. “Isso é uma demonstração de que não adianta ter milhares de câmeras se não há um software qualificado. Já teve denúncia de que uma pessoa foi identificada como criminosa apenas pela cor da pele”, explica.

Para ele, a central de monitoramento é apenas um elemento. E dizer que só a instalação de câmeras vai melhorar a segurança é demagogia. Mariano avalia que, ao evidenciar que está “pegando carona” no Smart Sampa do aliado Nunes, Flávio Bolsonaro expõe que, também neste tema, não tem projeto. “Isso é uma posição objetiva de quem não tem plano para a área de segurança pública. Ele [Flávio] tinha um projeto para retirar a marcação de munições. Isso favorece o crime”, destaca.

Benedito Mariano também aponta a contradição contida entre a afirmação e a defesa de transformar facções em organizações terroristas. “Pura demagogia. Tem é que enfrentar o crime organizado. E não ter relação de proximidade com o crime organizado, em especial com as milícias”, reforça.

O ex-ouvidor também rebate a proposta de Flávio de aumentar presídios e, inclusive, destaca que, na gestão de Bolsonaro, os investimentos na área caíram. “É mais uma proposta genérica. A extrema direita, no Brasil e no mundo, não quer enfrentar o crime organizado, porque não tem esse interesse”, diz.

Além disso, o ex-ouvidor argumenta que o ideal é seguir o dinheiro do crime, estratégia prevista no plano do governo Lula contra facções. “É o programa mais consistente porque estabelece a asfixia financeira do crime organizado, o fortalecimento da Polícia Civil, da Polícia Investigativa e transforma presídios estaduais em presídios de segurança máxima”, pontua.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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