CULTURA É POLÍTICA

‘Democracia no fio da navalha’, diz Johnny Hooker sobre eleições no Brasil

Indicado ao Grammy Latino, cantor critica atuação do bolsonarismo nas redes e defende direitos dos trabalhadores

Johnny Hooker falou sobre eleições, democracia e carreira musical em entrevista ao Conexão BdF 2ª Edição.
Johnny Hooker falou sobre eleições, democracia e carreira musical em entrevista ao Conexão BdF 2ª Edição | Crédito: Maicon Douglas

O cantor e compositor Johnny Hooker afirmou que a democracia brasileira está em risco diante do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Em entrevista ao Conexão BdF 2ª Edição, da Rádio Brasil de Fato, o artista comentou o cenário político, criticou a atuação do bolsonarismo nas redes sociais e celebrou sua primeira indicação ao Grammy Latino.

“O que está em jogo para o Brasil é muito claro e é muito grave. É a própria democracia. É a democracia no fio da navalha”, declarou o músico, ao comentar a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Hooker também questionou a permanência da força eleitoral da extrema direita. Para o artista, a atuação contínua de grupos bolsonaristas nas plataformas digitais ajuda a explicar o resultado do primeiro turno.

“Eles comem o cérebro do povo no WhatsApp. A gente ganhou a eleição em 2022 e achou que tinha voltado para uma normalidade institucional”, afirmou o cantor, que defendeu uma mobilização mais permanente dos setores progressistas nas redes sociais.

Ao recordar os anos da pandemia de COVID-19, Hooker relatou a perda de um amigo próximo, aos 35 anos, e criticou a condução da crise sanitária pelo governo de Jair Bolsonaro.

O artista também destacou os avanços sociais que testemunhou ao crescer em Recife, especialmente a ampliação de políticas públicas no Nordeste. Para ele, a defesa dos direitos da classe trabalhadora deve ocupar um lugar central no debate eleitoral.

“Você quer viver de favores ou quer viver de direitos? Essa é a grande questão posta na nossa frente”, afirmou.

Com 20 anos de carreira independente, Johnny Hooker celebra sua primeira indicação ao Grammy Latino.
Com 20 anos de carreira independente, Johnny Hooker celebra sua primeira indicação ao Grammy Latino | Crédito: Maicon Douglas

Grammy Latino

Além da política, Johnny Hooker comemorou a primeira indicação ao Grammy Latino de sua carreira, pela canção “Viver e Morrer de Amor na América Latina”, gravada em parceria com Ney Matogrosso.

A música integra o quarto álbum de estúdio do pernambucano, que leva o mesmo nome e reúne influências de diferentes ritmos latino-americanos.

“Dividir essa música com o Ney é uma das grandes honras da minha vida”, contou o cantor, que classificou a indicação como uma coroação de seus 20 anos de trajetória independente.

O artista explicou que a política também está presente no novo trabalho, inspirado pela história de resistência dos povos latino-americanos e pelas influências culturais que marcaram sua formação em Recife.

“Acho que, agora mais do que nunca, as canções de protesto são necessárias nesse momento turbulento não só do Brasil, como do mundo”, afirmou.

O disco também reúne participações de Daniela Mercury e Lia de Itamaracá. Segundo Hooker, a proposta é celebrar não apenas as dificuldades históricas enfrentadas pelos países latino-americanos, mas também a riqueza cultural e a capacidade de resistência de seus povos. “Nada soou mais urgente do que falar da América Latina agora”, resumiu o cantor.

Ao encerrar a entrevista, Hooker reafirmou sua expectativa em relação ao segundo turno e celebrou o reconhecimento internacional de seu trabalho: “Viva a América Latina!”.

Assista à entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h25 e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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