O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) veio a Curitiba (PR) para agendas de campanha, nesta terça-feira (20). Candidato à reeleição na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alckmin participou de um ato político com apoiadores, conversou com representantes do agronegócio e do setor empresarial paranaense, e encontrou o arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo.
Pela manhã, o vice-presidente esteve no ato “Paraná pela Virada”, realizado no Espaço Torres. Centenas de pessoas participaram, entre apoiadores, sindicatos, militantes e parlamentares apoiadores. O encontro contou com a presença de nomes da política paranaense, entre candidatos das eleições de 2026, parlamentares eleitos e reeleitos, de Enio Verri, presidente da Itaipu Binacional, e presidentes das centrais sindicais.
“O Brasil precisa de verdade, não de mentira”, se referindo à relação estreita de Flávio Bolsonaro (PL) com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, de quem recebeu mais de R$ 61 milhões sem prestar contas, além do empréstimo de um jatinho do banqueiro por diversas vezes.
O vice-presidente lembrou ainda que o governo de Jair Bolsonaro trocou quatro vezes a direção da Polícia Federal, e dificultou o avanço da investigação contra integrantes da família. Alckmin enfatizou a iniciativa do presidente Lula de abrir o sigilo de toda a família. “Quem não quiser ter vida pública, vai pro setor privado. Vida pública tem que ter a luz do sol, ser transparente.”

O vice-presidente encerrou seu discurso com otimismo sobre a vitória no dia 25. “Peço a Deus que, no apagar das luzes dessa campanha cívica, a luz se acenda na consciência de cada brasileiro e de cada brasileira, para que a gente possa ter domingo uma grande vitória do povo brasileiro, e o intérprete da vitória, Lula presidente”.
Alckmin argumenta que a vitória de Lula é uma vitória também da direita democrática. “O que diferencia mulheres e homens na vida pública é quem tem apreço pela democracia e quem não tem. Não é possível um candidato dizer que vai rasgar a Constituição e querer prorrogar seu próprio mandato”, declarou.
“Não é questão de direita contra esquerda, é questão de apreço pela democracia e contra a barbárie”, reiterou.
Conquista do fim da escala 6X1 e crescimento da economia
Na atividade, o vice-presidente destacou alguns dos feitos recentes do atual governo, como a proibição das bets e a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que diminuiu a jornada de trabalho de 44h para 40h semanais e deu fim à escala 6×1. A medida deve beneficiar 2,5 milhões de paranaenses.
“Nós fomos constituintes da 6×1. Faz quase 40 anos. As relações de trabalho mudaram, a tecnologia mudou. […] Há uma tendência mundial de redução da jornada de trabalho”, aponta. Alckmin aproveitou para criticar a posição do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), que declarou apoio ao fim da escala 6×1 após ter atuado para barrar a medida.
Alckmin listou conquistas do governo atual e projeções positivas para o próximo período. “Cresceu a economia. Nós estamos com o menor desemprego da série histórica […]. Nós vamos passar os EUA como maior exportador de produto agrícola do mundo.”
Apoios no Paraná
Alceni Guerra, ministro da Saúde no governo Fernando Collor, prefeito de Pato Branco (PR) e deputado federal, estava entre as figuras que acompanharam Alckmin durante a visita a Curitiba. Os dois atuaram juntos na Constituinte, em 1988, quando ajudaram na elaboração da Lei que criou o Sistema Público de Saúde. “Eu tive a honra de redigir, e ele de relatar. E assim nós temos o melhor sistema público de saúde do mundo”, disse o político, também integrante do PSB.
A deputada estadual mais jovem da próxima legislatura da Assembleia Legislativa do Paraná, Yasmin Rache (PT), fez referência ao movimento que a juventude tem feito nos últimos dias em prol da candidatura de Lula. “Muito disso é inspirado e honrando todo mundo que veio antes da gente. Enquanto juventude nós temos criatividade, energia, disposição, força pra lutar. Mas a gente vive numa democracia graças a todo mundo que lutou antes da gente.”

Requião Filho participou da cerimônia ao lado do pai, Roberto Requião, ex-governador do Paraná. O deputado classificou o momento atual como “guerra pela democracia”: “É um momento de escolha pelo Brasil que sonhamos, ou o Brasil que pode vir a ser um pesadelo. A nossa democracia é muito jovem, e ainda muito frágil. Do outro lado é tudo aquilo que o pai, que os senhores, lutaram contra desde o regime militar. É um autoritarismo, é a falta de cuidado com as pessoas, é o falso discurso da meritocracia, em que o Estado existe para os ricos e poderosos, e esquece de quem acorda cedo para ir trabalhar.”


