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O Milei ‘nos dá muita vergonha’ como presidente, diz jornalista argentina

Erika Gimenez afirma que Milei ideologizou a política externa e que inflação está baixa, mas custo de vida aumentou

Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção do Partido Liberal (PL) para lançamento da candidatura de 2026
Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção do PL para lançamento da candidatura de 2026 | Crédito: Allison Sales/NurPhoto via AFP

A proximidade do candidato Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente da Argentina, Javier Milei, não está evidente apenas nos encontros entre os dois e nas declarações públicas do argentino, mas nas propostas, especialmente no aspecto econômico, que o senador vem defendendo em sua campanha.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a jornalista Erika Gimenez, do ARG Medios, afirma que os argentinos estão bastante preocupados com as eleições no Brasil. Ela relembra que o tensionamento entre Milei e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é anterior à campanha presidencial e destaca o rebaixamento diplomático entre os dois países provocado por falas agressivas do mandatário argentino durante o lançamento oficial da campanha de Flávio.

“O Brasil era o primeiro sócio comercial da Argentina. Então é um país muito importante para nós”, afirma. Gimenez explica que existe uma construção regional de uma direita extremista “que dá muita vergonha” e que tem colocado em risco relações historicamente construídas na região. “Milei mistura as ideias políticas com as ideias do governo. É uma coisa muito perigosa”, alerta. “Essa relação ideológica, política, de direita, ele transforma numa coisa do Estado.”

A jornalista aponta que a onda de extrema direita pode acabar impactando nas eleições brasileiras. “Espero que não, mas pode acontecer”, lamenta.

Segundo ela, caso Lula venha a ser reeleito, é possível que haja um esforço para tentar reconstruir essa histórica relação entre os países. “São as duas maiores economias da América do Sul e são o centro também do Mercosul. O problema é que Milei transformou essa diferença ideológica em política externa”, critica. Erika Gimenez lembra que, no próximo ano, a Argentina também passará por eleições. “O desejável é que a relação seja o mais natural possível entre as nações, independentemente dos resultados que vão acontecer”, reforça.

Com relação ao cenário econômico da Argentina, repleto de cortes em benefícios sociais e gastos públicos, Gimenez aponta que, de fato, a inflação caiu na comparação com o início do governo Milei, mas alerta que esses indicadores não significam melhora de vida da população.

A jornalista destaca que dados recentes indicam que a pobreza chegou a 32% da população. “O endividamento das famílias tem sido algo bastante preocupante no país. A inflação pode ter descido, mas o custo de vida aumentou demais. Quando o governo corta subsídios sociais e aumenta impostos, é um cenário que não ajuda ninguém. Porque a inflação está menor, mas os gastos são maiores”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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