Apontada como futura ministra da Fazenda de Flávio Bolsonaro (PL) caso ele venha a vencer o segundo turno, a economista Daniella Marques Cosentino declarou, em entrevista à Rádio CBN Bahia, que a equipe pretende ir retirando gradualmente os beneficiários do Bolsa Família.
“Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar emprego de carteira assinada. Com uma regra de transição por dois anos e o retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família”, declarou a assessora da equipe econômica de Flávio.
A declaração gerou polêmica, já que o programa de redistribuição de renda tem alta aprovação entre os brasileiros.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o sociólogo Thiago Esteves, professor na Universidade Federal de Ciência e Inovação do Rio de Janeiro (UFCI-RJ), critica a proposta e afirma que quem ataca o Bolsa Família “não tem conhecimento da realidade”.
“O Bolsa Família é um programa social que atende 49 milhões de pessoas. Existe uma ideia ideológica de que as pessoas entram no programa porque não querem trabalhar. Mas cabe dizer que 2,5 milhões de pessoas, só esse ano, saíram do programa porque tiveram uma melhora na vida”, afirma.
Esteves critica o fato de que o bolsonarismo chama de gasto tudo que vai beneficiar a vida das pessoas mais pobres. “Não dá para saber se é ignorância ou maldade”, aponta. “Existe uma visão de que os pobres estão nessa condição porque eles querem, e é essa a visão da equipe econômica do Flávio Bolsonaro”, alerta.
O professor elogia a estrutura do programa e os mecanismos de fiscalização para que o recurso chegue, de fato, às famílias que mais precisam.
O sociólogo também destaca que já existem regras para o recebimento do benefício e até mesmo contrapartidas. “As crianças das famílias que recebem o Bolsa Família têm que estar matriculadas nas escolas e têm que comprovar o comparecimento a, no mínimo, 75% do ano letivo. A carteira vacinal também tem que estar completa e as gestantes têm que fazer o pré-natal. São medidas importantíssimas que ajudaram a mudar a cara do Brasil. A médio e longo prazo, a gente tem conseguido tirar as pessoas da pobreza extrema com medidas como essa”, aponta.
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