Política

Sem quórum, sessão da Câmara do DF tem defesa da educação pública e reivindicações de servidores

Deputados denunciam ataques a escola do Gama e repercutem paralisação dos professores marcada para quarta-feira (21)

Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) durante sessão ordinária nesta terça-feira (20). A falta de quórum impediu a votação dos projetos previstos na ordem do dia
Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) durante sessão ordinária nesta terça-feira (20). A falta de quórum impediu a votação dos projetos previstos na ordem do dia | Crédito: João Pedro Carvalho / Agência CLDF

A sessão ordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) desta terça-feira (20) não teve quórum para votação das matérias previstas na ordem do dia. Nos comunicados de líderes e parlamentares, os discursos abordaram denúncias de ataques à comunidade escolar, reivindicações dos servidores públicos e a disputa presidencial.

Entre as propostas previstas para votação estavam a criação da Política Distrital de Cuidados (PL nº 2.131/2026), a proteção da imagem e da honra de mulheres vítimas de violência doméstica e feminicídio (PL nº 1.819/2025) e a preferência de mães solo em programas habitacionais (PL nº 804/2023). Também estava na pauta um projeto que cria a Política Distrital de Residência Uni e Multiprofissional em Saúde (PL nº 247/2023). As matérias não foram votadas por falta de quórum.

A paralisação dos professores da rede pública do Distrito Federal, marcada para quarta-feira (21), também esteve entre os temas. A categoria fará um ato às 9h, em frente ao Palácio do Buriti.

Deputados denunciam ataques a escola do Gama

O deputado Gabriel Magno (PT) manifestou solidariedade à comunidade do Centro Educacional (CED) 6 do Gama, região administrativa do DF. Segundo ele, uma deputada distrital recém-eleita esteve na unidade na segunda-feira (19) e acusou a escola de promover doutrinação ideológica. O parlamentar afirmou que a visita constrangeu profissionais e expôs estudantes e professores nas redes sociais.

Ao criticar o episódio, Magno afirmou que o debate sobre suposta doutrinação desvia a atenção dos problemas concretos enfrentados pelas escolas públicas.

“Os espantalhos que uma turma cria para não enfrentar os reais problemas da escola. São vários os problemas da escola, mas que às vezes a ignorância ou a falta de honestidade no debate público fazem as pessoas esquecerem os problemas reais para debater questões que não existem na escola”, declarou.

O deputado disse que pretende acionar o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Também pediu que a Secretaria de Educação e o Conselho de Educação adotem providências com base nos protocolos e na legislação existentes.

Max Maciel (Psol) também criticou interferências externas na rotina escolar e defendeu que questões relacionadas à comunidade sejam tratadas pelos espaços institucionais. “Existe fórum permanente dentro da escola para se tratar disso e não interferências externas no sentido de gerar mais violência, mais ódio, mais criminalização do corpo de educação”, afirmou.

Professores cobram valorização e melhores condições de trabalho

Gabriel Magno defendeu a paralisação desta quarta-feira (21) e contestou declarações atribuídas à governadora Celina Leão (PP) sobre a legalidade do movimento.

“Paralisação amanhã, governadora Celina Leão, é absolutamente legal, legítima e constitucional”, disse o parlamentar, que citou o artigo 9º da Constituição Federal, sobre o direito de greve.

Entre os problemas apontados por Magno estão a remuneração da carreira do magistério e a superlotação das salas de aula, que, segundo ele, prejudica profissionais e estudantes.

O deputado também criticou o EducaDF e defendeu o rompimento do contrato com a plataforma, alegando falta de transparência nos gastos e falhas que prejudicam a rotina das escolas.

“É um sistema superfaturado, com mais de R$ 40 milhões gastos sem transparência e que não funciona. As escolas não conseguem registrar a chamada, realizar atividades pedagógicas, emitir boletins e certificados para os estudantes nem declarações para as famílias”, declarou.

As reivindicações da educação se somaram às cobranças de outros servidores públicos que acompanharam a sessão. Max Maciel criticou propostas de redução da máquina pública que, na avaliação dele, podem comprometer a contratação de profissionais para os serviços oferecidos à população.

“Quando alguém diz que quer reduzir a máquina pública, é demitir profissionais e não ter concurso para que a gente tenha profissionais qualificados atendendo na ponta”, afirmou.

Eleições também pautam discursos

A disputa presidencial ocupou parte dos pronunciamentos de Chico Vigilante (PT), Max Maciel e Ricardo Vale (PT), que criticaram propostas atribuídas à equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) e defenderam a continuidade de políticas sociais.

Vigilante questionou declarações sobre a duração do Bolsa Família e criticou as propostas de remuneração por hora de trabalho. Também cobrou explicações de parlamentares que apoiaram a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

“Quem tem que explicar é quem votou a favor. Por que que votou a favor? Quem pediu para votar a favor?”, questionou.

Ricardo Vale, por sua vez, criticou a gestão do Distrito Federal e apontou problemas nos serviços públicos, especialmente na saúde, no transporte e na educação.

O parlamentar também criticou a prioridade dada às obras em detrimento de outras áreas da administração pública. “Foi um governo que se preocupou muito em fazer obras e esqueceu do social, esqueceu da população do Distrito Federal”, disse.


Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de WhatsApp do BdF DF: 61 98304-0102

Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal no WhatsApp e acompanhe as atualizações

Editado por: Clivia Mesquita

|

Newsletter