O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou, nesta terça-feira (20), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) autorize a quebra de seus sigilos bancário e telefônico. Em entrevista em São Luís (MA), o candidato à reeleição afirmou que seus advogados estavam, naquele momento, entregando à Justiça uma autorização de abertura dos sigilos próprios e de sua família ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Os meus advogados estão lá em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, entregando um documento meu, pedindo a quebra do meu sigilo bancário e telefônico, e exigindo que o Bolsonaro faça o mesmo. O meu e o dos filhos, da Janja. E que ele faça também da família dele, o pai dele que está preso”, disse Lula.
Segundo o presidente, o objetivo é que a população saiba “quem é que é ladrão nesse país, quem é que é corrupto”.
“Eu quero ver se ele tem coragem de abrir o sigilo bancário dele, o sigilo telefônico dele. Ou seja, da pessoa física e da pessoa jurídica”, afirmou. “Vamos ver se ele tem coragem de abrir a vida secreta dele”, desafiou Lula.
A proposta surgiu no debate da TV Bandeirantes, no domingo (18). “Eu e você, amanhã, abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, disse Lula ao adversário na ocasião. No debate, Flávio Bolsonaro reagiu com ironia, lembrando que o presidente não usa celular, e não disse se aceitaria o desafio colocado por Lula.
A cobrança ocorre em meio às revelações sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador pediu recursos ao banqueiro para supostamente financiar o projeto audiovisual “Dark Horse”. No debate de domingo, Lula voltou a questioná-lo sobre o tema. Flávio Bolsonaro, por sua vez, perguntou ao presidente sobre a relação com a lobista Roberta Luchsinger, citada nas investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em setembro, Lula já havia cobrado a “quebra completa do sigilo” das investigações sobre todos os envolvidos no caso Master e criticado vazamentos seletivos. “O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu, na ocasião, nas redes sociais.
