O Distrito Federal registrou 27% da população em situação de insegurança alimentar em 2024, o equivalente a cerca de 845 mil pessoas, segundo dados apresentados na 6ª Conferência Distrital de Segurança Alimentar e Nutricional, em maio deste ano. O percentual aumentou em relação aos 23,5% registrados em 2023, conforme reportagem publicada pelo Brasil de Fato DF.
Nesse contexto, o Banquetaço Brasília acontece nesta sexta-feira (23), às 12h, no Setor Comercial Sul, próximo à estação Galeria do metrô. A mobilização reúne coletivos, movimentos sociais, cozinhas solidárias, organizações da sociedade civil e outros parceiros em defesa do direito à alimentação adequada e da soberania alimentar, com oferta de refeições e diálogo com a população.
Cleide Morais, do Coletivo Banquetaço, explica o objetivo da ação. “Queremos fortalecer a articulação entre cozinhas solidárias, movimentos sociais e agricultura familiar, mostrando que a alimentação é um direito, não um privilégio”, afirma.
Ela alerta para o risco de enfraquecimento das políticas públicas de combate à fome no DF e defende que elas tenham financiamento permanente.
“Nos preocupa qualquer enfraquecimento das políticas públicas de combate à fome e de apoio à agricultura familiar e às cozinhas solidárias. Está em jogo o direito da população, especialmente das periferias, de ter acesso regular a alimentos saudáveis e de qualidade. Defendemos que essas políticas sejam permanentes, com orçamento e participação popular”, afirma.
Cleide ressalta que as cozinhas solidárias não podem assumir sozinhas o enfrentamento à fome. “As cozinhas alimentam e acolhem, mas não podem substituir a responsabilidade do Estado”, afirma.
Proteger as conquistas e evitar retrocessos
A defesa de políticas permanentes de alimentação também é central para Elisabetta Recine, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e professora da Universidade de Brasília (UnB). Ela destaca a importância de preservar os avanços alcançados pelo país.
“Todos os resultados positivos que o Brasil alcançou são resultados a serem celebrados, mas também são resultados a serem protegidos. Então, não é uma questão de pensar ou insistir no passado, mas proteger o futuro”, afirma.
O Banquetaço surgiu em 2017, em São Paulo, como reação à proposta de utilização da farinata na alimentação escolar. Em 2019, houve mobilizações em meio à extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no governo de Jair Bolsonaro (PL). O retorno do conselho no governo Lula (PT), em 2023, motivou uma nova mobilização.
Neste ano, a organização reivindica políticas permanentes, orçamento adequado, fortalecimento da agricultura familiar, da reforma agrária e dos programas de aquisição de alimentos, além de estrutura e recursos para as cozinhas solidárias.
“Queremos mostrar que combater a fome exige compromisso político, investimento público e participação popular. A solidariedade é fundamental, mas não pode ser a única resposta”, afirma Cleide.
Serviço
Banquetaço Brasília
Data: sexta-feira (23)
Horário: a partir de 12h
Local: Setor Comercial Sul, próximo à estação galeria
Entrada: gratuita
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