NAS RUAS

Caravana Para Fazer Acontecer reúne juventude progressista em Porto Alegre na noite desta terça-feira (20)

Ato no viaduto do Brooklyn reuniu representantes da esquerda e contou com a presença de Guilherme Cortez (Psol)

Guilherme Cortez reconheceu a luta de quem veio antes e chamou ainda Vera Guasso ao palco, que, emocionada, foi ovacionada pelo jovem público
Guilherme Cortez reconheceu a luta de quem veio antes e chamou ainda Vera Guasso ao palco, que, emocionada, foi ovacionada pelo jovem público | Crédito: ana c

A juventude porto-alegrense está inflamada e determinada a lutar até o fim nas trincheiras da democracia. Esse foi o recado dado pelas centenas de jovens que abarrotaram o viaduto do Brooklyn em Porto Alegre na noite desta terça-feira (20).

Convocado pelo coletivo Revide, o ato reuniu lideranças políticas da esquerda, como Manuela d’Ávila, Matheus Gomes, Natasha Ferreira, Giovani Culau, Edegar Pretto, Vera Guasso, Fernanda Melchionna e o paulista Guilherme Cortez, recém eleito deputado federal pelo Psol. 

Discursos emocionados inflamaram o público

Giovani Culau destacou o ato de segunda-feira (19) com a presença do presidente Lula. Segundo ele, foi um dia histórico e a juventude estava na rua em defesa da educação pública, da soberania e da democracia. 

Edegar Pretto criticou abertamente a privatização dos serviços públicos, a venda de refinarias e da Br Distribuidora pelo governo de Jair Bolsonaro e vinculou Flávio com Donald Trump para lembrar que a Petrobrás pode ir pelo mesmo caminho. No final de sua fala, declamou uma poesia.

Natasha Ferreira também ressaltou a caminhada com o presidente Lula que reuniu cerca de 200 mil pessoas, configurando o maior comício do PT desde 1989. A deputada pontuou dificuldades da população trans e LGBTQIAPN+.

“Nós estamos disputando uma eleição, mas não é com um adversário político. Eu sou uma pessoa trans, eu sei muito bem o que a transfobia faz no dia-a-dia, com pessoas como eu. Nós sabemos que os políticos de Brasilia tem uma dívida com as nossas vidas, pois nossos direitos não são garantidos na Constituição nem aprovados no Parlamento”, alertou Natasha. Ela ainda convocou a plateia a se apropriar de pautas políticas que vão além das pautas identitárias. 

“Nós não queremos estar debatendo se a gente quer casar ou não, simplesmente. Nós queremos direitos constitucionais seguros. Inclusive, em Porto Alegre. Eu presidi a CPI que investigou os escândalos do Departamento Municipal de água e Esgoto (Dmae) e culminou na prisão de um vereador da base do Sebastião Melo”, lembrou. Natasha questionou ainda: “Mas por que uma travesti está falando de água pública, afinal? Porque eu não vou debater banheiro! Banheiro é lei”.

“Eu me recuso a estar no Parlamento, sendo paga por vocês, pra debater o que eu tenho no meio das pernas! Eu não vou fazer isso! Nós vamos discutir privatização, saúde pública, educação!”, reforçou Natasha.

Fernanda Melchionna, deputada federal mais votada no RS, relembrou diversos outros atos que marcaram a história da resistência: o Ele Não, a maior manifestação feminista histórica do Brasil, o Tsunami da educação, o Fora Bolsonaro e o Sem Anistia para Golpistas, e ainda apontou diversas medidas da direita que prejudicaram a classe trabalhadora, como o congelamento do salário mínimo e a reforma da Previdência, além de citar escândalos de corrupção da família Bolsonaro com Vorcaro e a famosa ‘Ilha do Richarlison’. 

Melchionna inflamou os jovens a se manterem mobilizados, mesmo com a vitória do presidente Lula: “O Congresso é inimigo do povo, agora mais ainda”.

O deputado estadual Matheus Gomes reforçou que Porto Alegre é a Capital da Rebeldia, citando 1961, quando durante o governo de Leonel Brizola, viu o povo gaúcho dividir as Forças Armadas e atrasar o golpe militar de 1964. Ele lembrou que Porto Alegre foi a pioneira em propor o Dia Nacional da Consciência Negra, em 1971, e em 1988 elegeu o prefeito Olívio Dutra, marcando para sempre a história da classe trabalhadora.

Em um discurso emocionante, Gomes convocou a juventude a desenvolver um projeto de qualidade de vida sustentável, reconhecendo as lutas do passado, aprendendo com os mais velhos e com os erros para construir a força social que vai garantir o futuro.

Manuela d’Ávila pontuou que vivemos um momento bonito, onde todas as gerações se encontram com a grandiosa missão de salvar o Brasil. “Essa não é uma eleição comum, ela tem um sentido de unidade muito maior do que as outras eleições. Ela é uma ideia completa de salvar o país. De defender a nossa Pátria de ameaças reais internacionais.” Ela ainda citou o exemplo da Venezuela, para apontar os riscos concretos que a democracia brasileira vive.

Recém eleito deputado federal pelo Psol, Guilherme Cortez, o convidado de honra da noite, fechou as falas e movimentou a juventude: exaltou colegas da mesa e de partido, o coletivo Revide, do qual ele mesmo foi parte fundadora, e convocou a plateia a, após as eleições, se juntar aos coletivos organizados, que precisarão continuar fazendo a resistência, uma vez que o movimento estudantil está cada vez mais presente, ativo e criativo.

Cortez reconheceu os que vieram antes na luta e chamou ainda Vera Guasso ao palco, que, emocionada, foi ovacionada pelo jovem público. O deputado ainda atribuiu a chance de virada no próximo pleito aos jovens e aos estudantes que, historicamente, mobilizam fortemente a política no país.

Deputada federal eleita Ana Elisa também vem a Porto Alegre

A visita tem como objetivo fortalecer a mobilização nas ruas e nas redes
A visita tem como objetivo fortalecer a mobilização nas ruas e nas redes | Crédito: Divulgação

A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa, que recebeu mais de 500 mil votos, também estará em Porto Alegre nesta quinta-feira (22). A visita tem como objetivo fortalecer a mobilização nas ruas e nas redes em defesa do Lula, do Brasil e da democracia.

Ana Elisa participará da Caminhada pela Educação, a partir das 11h, com concentração na Praça do Tambor, e será recebida para a aula pública “A soberania em disputa na era das plataformas”, às 16h, no viaduto do Brooklyn, que contará com a presença de Paulo Pimenta, Laura Sito, Natasha Ferreira, Juliana de Souza, Maria do Rosário, Daiana Santos e Leonel Radde.

Editado por: Katia Marko

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