FORMAÇÃO NO INTERIOR

Festival de Cinema tem inscrições abertas para oficinas gratuitas em Paudalho e Carpina (PE)

Oficinas são voltadas para os segmentos de atuação e memória audiovisual, com inscrições até a próxima segunda (26)

Oficinas são realizadas pelo Observatório Latino-americano de Realizadoras (Olar)
Oficinas são realizadas pelo Observatório Latino-americano de Realizadoras (Olar) | Crédito: Olar/Divulgação

O Festival de Cinema OLAR (Observatório Latino-americano de Realizadoras) recebe, até o dia 26 de outubro, inscrições para duas oficinas gratuitas de formação audiovisual em Paudalho e Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

As atividades são voltadas para pessoas a partir dos 18 anos, sem exigência de experiência prévia, e integram a programação da terceira edição do evento, que terá exibições de filmes entre os dias 11 e 14 de novembro de 2026. A iniciativa também oferecerá três bolsas para estudantes do interior, com auxílio para transporte, alimentação e hospedagem durante o festival.

As oficinas fazem parte da Sala de Formação OLAR, espaço dedicado à prática artística, à pesquisa e à reflexão sobre a produção audiovisual de mulheres e dissidências de gênero na América Latina. Nesta edição, a programação formativa reúne duas propostas: uma voltada à interpretação diante das câmeras, em Paudalho, e outra dedicada à memória e à investigação da presença feminina no cinema de não ficção peruano, em Carpina.

As inscrições devem ser realizadas pelo site realizadoraslatinas.com ou por meio das redes sociais do festival, no perfil @‌realizadoraslatinas. O resultado da seleção será divulgado em 30 de outubro.

Em Paudalho, a atriz e preparadora de elenco pernambucana Clébia Sousa conduz a oficina “Atuação para Cinema”, que explora as particularidades da interpretação para produções audiovisuais. Os participantes trabalharão aspectos como corpo, voz, fala, expressões faciais e movimento, em exercícios voltados à consciência corporal, à expressão das emoções e à construção da presença diante das câmeras.

A formação é destinada tanto a quem já teve contato com a atuação quanto a pessoas interessadas em experimentar essa linguagem pela primeira vez. Formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Clébia tem no currículo filmes como “Bacurau”, “O Som ao Redor”, “Tatuagem” e “Fortaleza Hotel”, além de produções para plataformas de streaming, como “Manhãs de Setembro”, “Maria e o Cangaço” e “Cangaço Novo”. Também atua na preparação de elenco, com destaque para o trabalho no longa “O Último Azul”.

Já em Carpina, a pesquisadora, educadora e realizadora peruana Lorena Best Urday ministra “Mexendo no Archivo Reversible: Oficina de Ensaio Collage”. A atividade utiliza filmes, textos e imagens de arquivo como ponto de partida para discutir a representação das mulheres no cinema peruano e as relações de poder que influenciam a preservação e o reconhecimento de suas produções.

Doutoranda em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professora da Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas (UPC), Lorena é co-criadora do Archivo Reversible, plataforma voltada à pesquisa e à disponibilização de documentos e filmes realizados por mulheres no Peru entre 1970 e 2020.

Durante a oficina, a colagem será explorada como ferramenta de pesquisa, interpretação e criação. Entre as obras que integram as referências da atividade estão ¿Y después qué? (1983), de Victoria Chicón; Luna de Almendra (1992), de Rosa Marca Alvárez Gil; e Programa Amiga (1995), de Ana Uriarte. A proposta é investigar como as narrativas audiovisuais constroem imagens sobre as mulheres e quais histórias acabam ficando à margem dos registros históricos.

Para Lílian de Alcântara, diretora artística do festival, a ampliação das atividades formativas acompanha a expansão do evento e fortalece o encontro entre diferentes experiências cinematográficas. “Chegar à terceira edição e ampliar o festival é também criar novos espaços de encontro com o cinema. A Sala de Formação OLAR traz duas experiências diferentes: uma oficina prática de atuação para cinema, voltada ao trabalho diante das câmeras, e outra, em parceria com o Archivo Reversible, que parte do arquivo e da colagem para refletir sobre a presença das mulheres no cinema peruano”.

Criado em 2020 por Cíntia Lima e Lílian de Alcântara, o Observatório Latino-americano de Realizadoras tem como objetivo contribuir para a memória, a pesquisa e a difusão do cinema realizado por mulheres e dissidências de gênero na América Latina e no Caribe. O festival é realizado bienalmente desde 2022 e reúne exibições, mostras competitivas e não competitivas, encontros e ações formativas.

A terceira edição amplia a presença do evento na Zona da Mata pernambucana, com sessões no Cine Teatro Marco Camarotti, em Paudalho, e na Praça José Otávio Guerra, em frente ao Colégio Dom Vidal, em Carpina. O Festival de Cinema OLAR 3 é produzido pela Olar Filmes, produtora sediada em Carpina, com incentivo do Funcultura Audiovisual, da Fundarpe e da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco, além de apoio da Lei Paulo Gustavo em Pernambuco e do Ministério da Cultura.

Editado por: Rostand Tiago

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