Motoboys com Lula

‘Flávio Bolsonaro quer acabar com direitos trabalhistas’ afirma entregador em motociata pró-Lula

Manifestação reúne trabalhadores e movimentos populares na praça Roosevelt em defesa de direitos e da democracia

Entregadores de app fizeram ato em apoio à candidatura de Lula (PT), em São Paulo
Entregadores de app fizeram ato em apoio à candidatura de Lula (PT), em São Paulo | Crédito: LucasMartins/@lucasport01

Centenas de motoboys e entregadores de aplicativo digitais, acompanhados por movimentos populares, reuniram-se na manhã desta quarta-feira (21) na praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, e realizaram uma motociata até a praça Roosevelt, na região central de São Paulo (SP), em apoio à candidatura de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O percurso, que passou pela avenida Paulista e rua Augusta, terminou por volta das 12h, quando os trabalhadores se dispersaram rapidamente para atender ao horário de pico das entregas de almoço no centro da capital paulista.

A mobilização foi organizada por entidades como o Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos (TSD), a Aliança dos Entregadores de Aplicativo (VAT), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), a Frente Povo Sem Medo, e organizações de entregadores do RJ, DF e Recife. O ato combinou reivindicações trabalhistas da categoria com a defesa da democracia e o apoio a Lula.

Entregador e coordenador do TSD, JR Freitas ressalta que a categoria vê no candidato do PT o canal para avançar em conquistas históricas, em contraste com o modelo flexibilizado defendido pela oposição.

“O projeto de Flávio Bolsonaro é acabar com os direitos trabalhistas. A livre negociação com as empresas de aplicativo já existe e não nos trouxe nada: elas bloqueiam, tiram direitos e diminuem nossas taxas sem diálogo”, disse JR Freitas.

De acordo com o motoboy e liderança na categoria, “com o presidente Lula, temos abertura para colocar os trabalhadores diretamente no Palácio do Planalto”. Ele afirma que os entregadores buscam por “uma taxa mínima de R$ 10,50 por quilômetro, transparência no algoritmo, pontos de apoio e dignidade para trabalhar, chegar vivo em casa e com dinheiro no bolso”.

Ressignificação do uso das motos

O organizador pontua ainda que o ato teve um papel simbólico de ressignificar as motociatas no cenário urbano. Segundo Freitas, enquanto mobilizações da extrema direita reuniam motocicletas de alto custo, o ato desta quarta-feira expressou a rotina daqueles que movimentam a economia sobre duas rodas.

“Nosso objetivo é mostrar que as motos representam trabalhadores que entregam comida e mercadorias todos os dias, gente que dá o suor para sobreviver e presta um serviço fundamental ao país”, disse o entregador.

A categoria também aponta que a reeleição de Lula é fundamental para garantir a manutenção do comitê permanente de discussão criado pelo Governo Federal e assegurar que as demandas por regulamentação avancem no Congresso Nacional.

“Sabemos da importância dessa eleição para continuar lutando. Precisamos da democracia e de um governo com quem seja possível dialogar e pressionar por melhorias”, complementou o coordenador do TSD.

Entregadores de app fizeram ato em apoio à candidatura de Lula (PT), em São Paulo
Entregadores de app durante motociata em São Paulo | Elineudo Meira (Chokito)/@fotografia.75 | Crédito: Elineudo Meira (Chokito)/@fotografia.75

Rotina de trabalho na rua

A entregadora Juliana Iemanjara, de 39 anos, esteve no ato acompanhada da filha, de 11 anos, para apresentar à jovem o cotidiano das ruas. Atuando de segunda a domingo das 7h30 às 22h no atendimento de pedidos de farmácias e refeições, Iemanjara obtém um faturamento médio diário entre R$ 300 e R$ 350, descontados os custos de combustível.

“Acho super importante essa união em apoio à democracia, porque a luta é na rua. A luta acontece assim, com o povo unido nas ruas. Hoje minha filha veio comigo para ver como é a rotina da mãe e entender que o dinheiro é suado. Eu passo horas na rua para conquistar aquele valor e sustentar minha casa”, declarou a entregadora.

A representatividade de mulheres negras e nordestinas no movimento foi destacada pela recifense Vera Lúcia, de 20 anos. A entregadora atua das 11h às 20h nos aplicativos iFood e 99, obtendo rendimento diário de R$ 100 a R$ 120, valor que concilia com cursos de capacitação e aulas de dança.

“É bastante importante ter mulheres pretas, periféricas e nordestinas nesse ato para mostrar que a gente pode ocupar esses espaços e conquistar o que necessita. Merecemos respeito, igualdade e democracia”, destacou a entregadora pernambucana.

Entregadores de bicicleta

As dificuldades enfrentadas por quem trabalha sem veículo motorizado também pautaram a manifestação. O entregador de bicicleta Thiago Gabriel, de 28 anos, atua na função há três anos e cumpre jornadas que se estendem das 10h às 23h para obter ganhos diários entre R$ 150 e R$ 160.

“Passamos da metade do dia até o final da noite para ganhar o mínimo, que é uma taxa de R$ 7 por entrega. Corremos muito risco no trânsito e saímos de casa sem saber se voltamos. As empresas de aplicativo não oferecem amparo nenhum aos trabalhadores, por isso estamos na rua lutando por uma taxa mínima de pelo menos R$ 10”, pontuou Thiago Gabriel.

Editado por: Rafaella Coury

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