Cheguei à conclusão que não podemos definir os Bolsonaro e seus cegos seguidores como extrema direita. É um equívoco de todos nós.
O espectro esquerda/direita se origina lá na Revolução Francesa, final do século 18, ainda no parlamento do Antigo Regime. É uma definição político-ideológica.
Ora, o bolsonarismo não representa uma expressão político-ideológica. Expressa, sim, uma representação criminal-delinquencial.
Também não podemos chamá-los de protofascistas, nazifascistas, algo no gênero.
O nazifascismo que assolou grande parte da Europa na primeira metade do século 20 formulou um ideário racista excludente, supremacista/eugenista e über nacionalista. Mas formulou, com racionalidade e sinistra dedicação. Fizeram estudos (demoníacos) sobre Direito, Biologia, Reprodução Humana, experimentaram na Arquitetura, na Engenharia, na Mecânica, Física Nuclear, etc.
O bolsonarismo é um ajuntamento de parvos, beócios, ladravazes, lúmpens endinheirados e oportunistas de todos os espectros. Não há pensamento, não há formulação alguma. Encobrem essa massa disforme com o verniz tênue e fugaz de uma religiosidade de ocasião, de um nacionalismo ilegítimo (porque entreguista), e de uma moralidade com batom na cueca. Ou de Cristo na goiabeira – como vocês quiserem.
O bolsonarismo é uma quadrilha que sequestrou o Estado brasileiro, face a diversos fatores:
1) Falência total do liberalismo democrático brasuca, sem projeto nacional por que comprometido com a subserviência ao neocolonialismo by USA. Os antigos liberais, muitos deles, foram absorvidos por essa gente.
2) Golpe de Estado de 2016.
3) Desdobramentos do golpe de Estado de 2016: prisão de Lula, lavajatismo de destruição/entreguismo, intervenção não-declarada da CIA na política interna do País, financiamento de agentes para minar as instituições nacionais, estímulo a ações do tipo “revolução colorida” (ver julho/2013), mídia em bloco compacto para legitimar o golpe e apoiar políticas caras ao capital financeiro e desmonte das agendas/políticas sociais. A mesma mídia que hoje trata Lula e Flávio como equivalentes. Sempre sugerindo que há uma simetria perfeita entre eles. E sempre esquecendo que a disputa é assimétrica, radicalmente assimétrica, onde um expressa a democracia e o outro expressa a barbárie e o neocolonialismo.
4) Eleição de Bolsonaro sob o signo da fraude em primeiro grau (prisão de Lula) e em segundo grau (uso ilegal das redes sociais, robôs manejados em servidores no Exterior).
5) Administração bolsonarista pilotando um projeto de desmonte institucional do País (sempre informado por agentes externos). Estímulo à violência simbólica (sem coação física), mas sobretudo à violência com coação física concreta (assassinatos e envenenamento dos rios de áreas indígenas visando sua extinção física).
6) Atual corrida eleitoral totalmente contaminada pela fraude continuada, uso expresso de dois ministros do STF, inclusive especialmente no Tribunal Superior Eleitoral, e impulsionamento pesado e continuado nas Big Techs USA.
A conclusão, portanto, é óbvia: estamos vivendo no limiar da barbárie e da brutalidade ilimitada.
O bolsonarismo não representa a extrema direita, mas a condição Mad Max, quer dizer, a da vandalização horizontal, onde a lei é esmagada por uma bota ou pelas rodas de uma motocicleta de delinquentes.
*Cristóvão Feil é sociólogo.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

