O Kremlin está pronto para retomar as negociações trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia na última semana de novembro. Foi o que declarou o assessor presidencial russo Yuri Ushakov após o encontro do presidente russo, Vladimir Putin, com o enviado estadunidense, Steve Witkoff, nesta quarta-feira (21), em São Petersburgo, cidade russa.
Segundo Ushakov, Putin informou Witkoff sobre a possibilidade durante a reunião. O assessor presidencial russo acrescentou que a Rússia está pronta para retomar as conversas “sobre o tema principal”, que “diz respeito à construção de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”.
Ao mesmo tempo, Ushakov afirmou que Witkoff falou “sobre novas abordagens” da União Europeia e de Kiev, mas “elas continham pouca utilidade no contexto da resolução da crise ucraniana“.
“A retomada [das negociações] planejada imediatamente após as eleições para a Duma Estatal, como é sabido, foi frustrada pelo próprio regime ucraniano, que lançou ataques aéreos massivos no principal dia de votação em Moscou, em outras cidades e em seções eleitorais, visando diretamente funcionários da comissão eleitoral, alguns dos quais foram mortos”, afirmou.
Ushakov também relatou que Putin “apresentou ao seu interlocutor um quadro objetivo da situação na linha de contato, onde a iniciativa estratégica reside inteiramente nas tropas russas”.
No início de outubro, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou o desejo de Washington de realizar uma nova reunião entre as delegações da Ucrânia, dos EUA e da Rússia até o final de outubro. Naquela ocasião, ele afirmou que a discussão girava em torno da organização de tal reunião até o final do mês. Zelensky declarou que a Ucrânia estava pronta para apoiar essas negociações.
Durante a reunião, Witkoff anunciou que havia trazido documentos com propostas para uma solução para o conflito ucraniano. Peskov afirmou posteriormente que todas as propostas apresentadas por Washington seriam analisadas e avaliadas pelo presidente russo.
Putin agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, pela atenção dada à crise ucraniana. Ele observou que o líder estadunidense enfatizou, em sua última conversa telefônica, a necessidade de pôr fim ao conflito para impedir a perda de vidas.
Na véspera de seu encontro com Putin, Witkoff reuniu-se com Zelensky em Oslo. O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, o presidente finlandês, Alexander Stubb, e representantes da UE, da Otan, da França, do Reino Unido, da Alemanha e da Polônia participaram das conversas.
Após a reunião em Oslo, Stubb observou que houve “progresso real em dois níveis”: no curto prazo e em um contexto mais amplo. De acordo com ele, as discussões abordaram questões-chave como defesa aérea, instalações energéticas e a possibilidade de um cessar-fogo parcial.
Zelensky diz que está pronto para interromper a guerra na atual linha de frente
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por sua vez, confirmou sua disposição de suspender a guerra ao longo da atual linha de contato. Em entrevista ao canal de televisão Fox News, o líder ucraniano foi questionado se concordaria com um acordo de paz que congelasse todas as tensões ao longo da atual linha de frente, mantendo “75% do território do país”.
Zelensky respondeu positivamente, observando que um acordo de paz nesse formato poderia acabar com a guerra. “Sim, poderíamos congelar tudo agora mesmo. Acredito que essa seja uma maneira realista de acabar com esta guerra”, declarou.
Ao mesmo tempo, Zelensky afirmou que os parceiros dos EUA e da Europa devem fornecer garantias de que a agressão russa não será retomada.
“Chamaremos isso de cessar-fogo ou, como diz o presidente Trump, um fim à matança. Congelar e parar. Este é o mínimo que queremos da Rússia hoje: um congelamento e negociações”, afirmou.

