A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na noite de quarta-feira (21) uma mensagem ao povo brasileiro sobre o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). No texto, assinado pelo Conselho Permanente da entidade, os bispos reafirmam a defesa da Constituição e do respeito ao resultado das urnas e pedem que os eleitores avaliem a trajetória dos candidatos antes de votar.
“Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam”, diz a mensagem. Em outro trecho, a CNBB convida cada eleitor “a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo”.
A nota não cita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas aborda temas que marcaram as campanhas nas últimas semanas, incluindo a relação com a própria Igreja Católica.
Os bispos também afirmam que o voto é livre e secreto e classificam como “inadmissíveis” as práticas de ameaçar, pressionar eleitores ou negociar votos. O documento lista como necessidades do país trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança, além do cuidado com o meio ambiente, a garantia dos direitos humanos e a promoção da paz. A mensagem termina pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
“Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz”, conclui a nota.
Atrito com a Igreja
A relação entre Flávio Bolsonaro e a CNBB se desgastou em setembro, quando viralizou um boato que associava o candidato a um projeto de lei de 2007, já arquivado, que retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O projeto é de autoria do ex-deputado federal Professor Victório Galli (MT), à época filiado ao MDB, que, anos mais tarde, aliou-se ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser nomeado assessor especial da Presidência da República.
Após a repercussão, o senador atribuiu o boato a uma “fake news de gente de dentro da CNBB”. A entidade negou envolvimento. No mesmo período, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo ligado à CNBB, entregou aos bispos um relatório que reúne 58 ataques da extrema direita contra a entidade e os católicos desde 2018.
Em agosto, o candidato já havia provocado incômodo entre católicos ao dizer que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o “Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
No último dia 12, na missa do Dia de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva, pregou uma “paz desarmada” e afirmou que o evangelho não autoriza odiar quem pensa diferente, em meio à promessa de Flávio Bolsonaro de retomar a política armamentista do governo de Jair Bolsonaro.

