Na última terça-feira (20), estudantes e professores da escola de referência em ensino médio Aura Sampaio, em Salgueiro (PE), foram surpreendidos pela chegada de policiais militares que, acompanhados de um militante bolsonarista residente no município, entraram no espaço escolar alegando terem recebido uma denúncia anônima de que estaria havendo campanha eleitoral dentro da escola. Segundo denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Pernambuco (Sintepe), pessoas foram constrangidas a trocarem de camisas por serem vermelhas.
A presidenta do Sintepe, deputada estadual eleita Ivete Caetano (PT), disse que a ação da polícia envolveu “intimidação, violência e constrangimento” contra pessoas que usavam “camisas vermelhas e broches contra a escala 6×1 ou a favor da política de cotas”. Importante destacar que o fardamento oficial da escola é vermelho. “Esse tipo de censura e intimidação não pode acontecer. Casos como estes devem ser apurados e punidos”, cobrou a líder sindical. Em nota, o sindicato afirmou que acionará a corregedoria da Polícia Militar, o Ministério Público de Pernambuco e o governo do estado exigindo a devida apuração e responsabilização.
“Estudantes e trabalhadores foram obrigados a retirar broches e trocar camisas. O Sintepe considera inadmissível qualquer tentativa de constrangimento ou silenciamento por posicionamentos ideológicos. A Constituição Federal garante liberdade de manifestação do pensamento e veda a censura, princípios que precisam ser respeitados também dentro das escolas. (…) O Sintepe não aceitará ataques à liberdade de expressão, à democracia e à comunidade escolar. A escola pública deve ser um espaço de conhecimento, pluralidade e respeito, nunca de intimidação ou perseguição política”, diz a nota pública do Sintepe.
O militante bolsonarista em questão é Guilherme Silva, que foi candidato a vereador de Salgueiro em 2024 e recebeu 279 votos, ficando em 37º lugar, distante de uma das 15 vagas na Câmara Municipal. Em nota pública, ele mesmo classifica o caso como “suposta distribuição de adesivos e material de propaganda eleitoral”, além de afirmar que outros estudantes estariam “constrangendo” os que simpatizam com Flávio Bolsonaro (PL).

A nota também alega que professores estavam usando “broches de partido”, mas as fotografias tornadas públicas pela Polícia Militar mostram broches sem quaisquer insígnias partidárias ou relacionadas a candidatos. Os adereços tratam do fim da escala 6×1, pedem “valorização dos trabalhadores de apps” e defendem cotas na educação superior.
A governadora Raquel Lyra (PSD) ainda não deu qualquer declaração pública sobre o tema. O Brasil de Fato entrou em contato com as secretarias estaduais de Defesa Social (responsável pela Polícia Militar) e de Educação (responsável pela escola). Esta última enviou uma nota sobre o caso.
O que diz o governo
Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Educação (SEE) afirma que “a Patrulha Escolar esteve na unidade de ensino para averiguar uma denúncia de suposta campanha política no ambiente escolar. O caso está sendo apurado pela gestão da escola e pela Gerência Regional de Educação (GRE) Sertão Central”.
O texto também afirma o compromisso com o caráter público, democrático e plural da educação, “prezando pela aprendizagem com acolhimento da comunidade, na garantia de um ambiente saudável” e rejeitando quaisquer violências. “A Secretaria de Educação segue reafirmando seu compromisso com a segurança, a liberdade de ensinar e aprender e a proteção de toda a comunidade escolar”, conclui.

