Batalha digital

Nunes Marques dá 24 horas para Meta dar parecer sobre canal ‘Exército do Lula’

Bloqueado duas vezes pelo TSE, o grupo com 8 milhões de seguidores é alvo de mais uma ação de Flávio Bolsonaro

Um dos cards distribuídos no grupo 'Exército de Lula'.
Um dos cards distribuídos no grupo ‘Exército de Lula’ | Crédito: Reprodução/Exército de Lula

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, solicitou à Meta, nesta quinta-feira (22), um relatório técnico sobre o funcionamento do canal “Exército do Lula”, grupo do WhatsApp em apoio ao candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em até 24 horas. A medida acontece após um pedido da campanha do candidato do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A campanha de Flávio alega que há indícios de que as redes operadas pela Meta não estariam cumprindo o plano de conformidade entregue ao TSE para garantir a integridade do processo eleitoral.

A decisão determina que a Meta explique quais critérios técnicos utiliza para diferenciar uma “mobilização legítima” de um “comportamento coordenado potencialmente irregular” e pede dados como a existência de sincronização de atividades, replicação de mensagens e atuação coordenada entre contas, canais e plataformas, e padrões de engajamento, alcance, compartilhamento e eventual amplificação artificial, entre outros.

Outra medida determinada para o Google é se identificarem amplificação coordenada dos termos e hashtags mencionados, entre 18 e 20 de outubro de 2026, em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.

A decisão ocorre no mesmo dia em que os integrantes do canal receberam um vídeo do presidente, em formato de selfie, informando que o próprio Lula passaria a integrar o canal.

O “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal Janones (Rede-MG), tem atualmente mais de 8 milhões de seguidores e atua para que eleitores de Lula possam compartilhar vídeos, áudios e orientações de mobilização digital. Desde que foi criado, um dia após o primeiro turno das eleições, o canal tem sido alvo de ações no TSE.

No dia 10, a partir de uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, Nunes Marques determinou a suspensão integral do canal, sob alegação de divulgação de notícias falsas. A decisão foi derrubada, no mesmo dia, pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Na segunda, a área técnica do TSE confirmou que não localizou os conteúdos.

No dia 13, às vésperas da aprovação do fim da escala 6×1, Nunes Marques tirou novamente o canal do ar, alegando que não estava registrado no TSE. Mesmo após a regularização, o presidente do TSE tentou manter o grupo fora do ar por 48 horas, justificando que esse era o prazo regular. No mesmo dia, o grupo bolsonarista “Tropa de Flávio”, que também não estava registrado, foi regularizado, sem punição. Após recurso da campanha de Lula, o grupo voltou em menos de 24 horas.

Editado por: Rafaella Coury

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