é pela virada

‘O que não pode haver é alternância de regime’, diz Marina Silva em ato de frente ampla por Lula

Ato do Direitos Já! com Simone Tebet, Tabata Amaral e Covas Neto lança manifesto assinado por mais de 100 entidades

Marina Silva participa de ato da Direitos Já! pela eleição de Lula
Marina Silva participa de ato da Direitos Já! pela eleição de Lula | Crédito: Reprodução/YouTube

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) encerrou, na noite desta quinta-feira (22), o Ato de Frente Ampla pela Democracia e pela Soberania, na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo (SP). Organizado pelo Direitos Já! Fórum pela Democracia, o encontro reuniu lideranças do PSDB, do PSD e de outros partidos, além de intelectuais, artistas e representantes de movimentos sociais, em apoio à chapa Lula-Alckmin, a três dias do segundo turno.

Esta foi a 15ª edição do ato. Na abertura, o coordenador do Direitos Já!, Fernando Guimarães, leu o manifesto “Segundo turno: em defesa da Democracia, do Estado de Direito e da Soberania”, lançado com a assinatura de mais de 100 organizações da sociedade civil. O texto aponta ataques à Justiça Eleitoral, desinformação e propostas de anistia a quem atentou contra as instituições como sinais de corrosão democrática, e conclama o eleitor a votar “em quem esteve inequivocadamente ao lado da Constituição, da democracia, dos direitos da população mais pobre e da soberania”.

‘O povo não erra’

Último a falar, Alckmin pediu empenho nos dias que restam até a votação. “O povo não erra. Ele precisa ter todas as informações. E cabe a nós, é nosso dever, esclarecer a população”, afirmou.

O vice-presidente comparou as gestões de Lula e de Jair Bolsonaro (PL) em educação, saúde e combate à corrupção. Citou a operação Carbono Oculto, da Polícia Federal e da Receita Federal, contra o crime organizado no setor de combustíveis, e o fechamento do Banco Master, que, segundo ele, “nasceu no governo Bolsonaro, cresceu no governo Bolsonaro”. Alckmin também listou investigações envolvendo Flávio Bolsonaro (PL), como o caso das rachadinhas e a relação com o Banco Master, e cobrou do adversário prestação de contas.

Ao lembrar o ex-governador Mário Covas, de quem foi vice, Alckmin repetiu uma frase atribuída a ele: “Você pode ser um pouco mais à esquerda, um pouco mais à direita […], mas o que diferencia homens e mulheres públicos é quem tem apreço pela democracia e quem não tem apreço pela democracia”.

O vice-presidente pediu ainda que os militantes procurem quem não votou no primeiro turno. “Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo, nenhum problema. Vai ser rápido, agora é um voto”, disse.

Tucanos e PSD

O ato teve presença marcante de nomes do PSDB e do PSD. Mário Covas Neto, filho do ex-governador, dirigiu sua fala a filiados e simpatizantes do PSDB que resistem a votar em Lula por causa da antiga rivalidade com o PT. “Hoje não está em jogo sequer quem é o bandido, quem é o mocinho […]. Também não está em jogo um novo governo de quatro anos. O que tá em jogo hoje é a democracia”, afirmou.

O ex-governador de Goiás José Eliton, que lançou um manifesto de tucanos goianos em apoio a Lula, defendeu que o próximo governo seja “de conciliação e unidade nacional”. Pelo PSD, a vice-presidenta nacional do partido e ex-vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antônio, resumiu: “Ou é o arbítrio ou a liberdade, ou é a democracia ou a ditadura da milícia”. O ex-prefeito de Salvador (BA) Edvaldo Brito, presidente do diretório municipal do PSD na cidade, lembrou que o partido liberou seus filiados no segundo turno. “O caminho da Bahia é Lula”, disse.

A deputada federal Tabata Amaral (PSB) se apresentou como alguém de “visão de mundo mais ao centro”. “Eu não preciso ser petista para ter clareza de qual é o caminho no próximo domingo”, afirmou, citando sua condição de mulher, de filha de nordestinos e de católica. Também discursou o deputado federal Fausto Pinato (União Brasil), que relatou ter perdido amigos e aliados por apoiar Lula.

Empate no Datafolha

A pesquisa Datafolha divulgada durante o ato foi lembrada em várias falas. O levantamento mostra Flávio Bolsonaro e Lula com 50% dos votos válidos cada; nos votos totais, Flávio tem 47% e Lula, 46%, em empate técnico.

A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo (USP), anunciou o resultado do palco. “Nós estamos na ascendente. Então não é hora de economizar esperança e não é hora de economizar verdade”, disse.

A ex-ministra Simone Tebet (PSB) lembrou a evolução das pesquisas desde o primeiro turno, quando a desvantagem de Lula chegou a quatro pontos. “Hoje, exatamente hoje, faltando três dias, nós estamos numericamente empatados. O que significa que esta eleição ainda não está decidida”, afirmou. Tebet propôs um “pacto” até domingo: “Ninguém dorme, ninguém come, ninguém toma banho sem levar o celular até para o banheiro para poder continuar pedindo voto”.

Marina Silva (Rede) criticou a postura de Flávio Bolsonaro no debate da TV Bandeirantes, que classificou como “corporalmente agressivo” e “desrespeitoso” com o presidente, e defendeu a democracia como garantia de disputa futura. “Numa democracia há alternância de poder. O que não pode haver é alternância de regime”, afirmou.

Sociedade civil

O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, atribuiu a Lula a chegada da população negra às universidades e a cargos de comando. “Negros de todas as partes do nosso país, levantem e andem até as urnas no domingo”, conclamou.

Também falaram a jurista Flávia Piovesan, ex-comissária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos; Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora; a escritora Bia Bracher; o ator Cássio Scapin; e a vice-governadora eleita do Ceará, Gabriella Aguiar. “Votar é assumir responsabilidade pelo governo em que se votou. Abster-se, votar nulo ou em branco é um voto naquele que vier a ganhar”, disse Bracher.

Além do manifesto, o Direitos Já! divulgou a carta “Não há neutralidade possível”, em que declara apoio explícito a Lula e Alckmin. O texto se dirige a lideranças empresariais, acadêmicas, religiosas e culturais que ainda não se manifestaram. “Há momentos em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser escolha”, afirma a carta.

Criado em 2019 e inspirado nas Diretas Já, o Direitos Já! reúne partidos de diferentes campos políticos, organizações e personalidades em defesa da democracia e da Constituição de 1988.

Editado por: Rafaella Coury

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