O presidente russo, Vladimir Putin, confirmou, nesta quinta-feira (22), que a Rússia está pronta para retomar as negociações trilaterais sobre a Ucrânia com a participação dos Estados Unidos.
“Em relação às nossas conversas com representantes do governo estadunidense, sim, concordamos que estamos prontos para retomar nossos contatos trilaterais”, disse ele. Ele acrescentou que um acordo é possível, mas, se a outra parte escolher um caminho diferente, tudo será diferente.
Foi a primeira vez que o presidente russo comentou o resultado de suas conversas com o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, com quem se reuniu em São Petersburgo na última quarta-feira (21).
“O objetivo dessas negociações será discutir como garantir a segurança da Ucrânia e da Rússia após a obtenção de um acordo de paz — e em sua forma final, não como resultado de uma suspensão das hostilidades”, acrescentou.
Putin também comentou a declaração do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de que Kiev concordaria com um acordo de cessar-fogo sob o desenho da fronteira na linha de frente, ao ser questionado em uma entrevista à Fox News de que tal trégua representaria a perda de aproximadamente 25% do território ucraniano. Putin classificou tais considerações como “inadequadas”.
“Antes de mais nada, minha posição sobre este assunto é que este não é território deles; é território historicamente russo”, disse Putin em entrevista ao repórter do canal Vesti, Pavel Zarubin.
Putin lembrou que “os povos que vivem nesses territórios votaram, primeiro, pela independência do Estado e, segundo, pela reunificação com a Federação Russa”. “Portanto, falar sobre quaisquer perdas territoriais me parece inadequado”, declarou.
Ao mesmo tempo, o presidente russo afirmou que a Rússia não quer estar em guerra com a Ucrânia e que “estudos genéticos mais recentes” mostram que russos e ucranianos são um só povo.
“Não queremos lutar com a Ucrânia. Se a atual liderança ucraniana quer lutar, que lute, mas por que acha que todos devem pagar por isso e fornecer-lhes armas? […] Ainda estamos prontos para negociar e buscar uma solução para esta situação difícil. Essas pessoas são muito próximas de nós. Os estudos genéticos mais recentes mostram que estes povos são um só”, completou.

