quem deve, teme

‘Se Flávio Bolsonaro não tem nada a esconder, que abra suas contas’, afirma cientista política

Rosemary Segurado aponta que Flávio Bolsonaro está fazendo manobras e criando obstáculos para não precisar abrir sigilo

Guilherme Boulos e Camilo Santana
Guilherme Boulos e Camilo Santana | Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e o senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha de Lula, protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura de sigilo bancário, fiscal e telefônico do presidente nos últimos oito anos. Estão inclusos no pedido os familiares de Lula.

A ação consolida o desafio lançado por Lula a Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Band, no último domingo (18). O senador fez diversas exigências, mas Lula manteve sua palavra, aceitou todas as 19 condições e agora espera a campanha de Flávio fazer o mesmo.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado considera que o episódio expõe toda a contradição do bolsonarismo, que vive acusando Lula e o PT de corrupção, mas agora não aceita o desafio de transparência.

“O que temos como fato concreto: o presidente Lula deu a documentação para abrir o sigilo dele, dos cinco filhos, da mulher Janja e do ex-chefe de gabinete. O que Flávio está fazendo é de uma tremenda má-fé. Ele não vai abrir o sigilo porque ele tem medo da sua conta, da conta dos seus irmãos, do seu pai, da sua mulher”, resume.

Segurado considera, inclusive, que, se Flávio estivesse agindo com boa intenção, ele poderia até mesmo dizer que, independentemente do que Lula iria fazer ou não, ele abriria seus documentos para provar que não tem nada a temer. Quando passa a impor uma série de exigências, mostra que não tem essa disposição. “As pessoas têm que entender que não se governa um país com bravatas”, defende. “A gente vai escolher alguém que honra um compromisso ou alguém que só fica tripudiando, atacando os outros?”, questiona. “Quem rouba? Quem tem algo a esconder?”

A analista política acha que o tempo curto até o segundo turno inviabilizará que uma análise minuciosa dos sigilos dos candidatos seja realizada a ponto de influenciar na decisão de voto do eleitor. Contudo, frisa que, neste momento, há algo bastante evidente se contrapondo: um candidato, que é Lula, demonstrando não ter nada a esconder, e outro, Flávio, adotando uma postura de que parece temer algo.

“Flávio pode dizer o que quiser, pode falar em oportunismo de Lula, não importa. Se ele não tem nada a esconder, não tem receio, ele que abra suas contas”, argumenta. “Não é uma postura republicana a do candidato Flávio.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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