Mídia

Alba Movimentos reúne 14 jornalistas de sete países para cobertura das eleições no Brasil

Mídias comunitárias latino-americanas acompanharão em conjunto votação decisiva para construir uma narrativa popular

Teste da urna eletrônica na sede do TSE.
Teste da urna eletrônica na sede do TSE. | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Alba Movimentos, uma articulação continental de movimentos sociais e populares, traz 14 jornalistas de sete países para a cobertura do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. São repórteres e editores da Argentina, Venezuela, Chile, Uruguai, México, Estados Unidos e Líbano.

“São companheiros que vêm cobrir as eleições pela envergadura e pela importância que possuem neste momento, um momento histórico do cenário regional”, explica a integrante da secretaria continental da Alba Movimentos, Florencia Abregú.

Será um trabalho conjunto para produzir materiais de forma colaborativa e construir uma narrativa comum sobre “o nosso posicionamento em defesa da democracia, da soberania e — neste caso — do governo Lula”.

“Queremos manter uma unidade no que diz respeito à informação; não nos interessa apenas dar um ‘furo’ ou uma notícia de impacto. Nosso objetivo é transmitir o que o povo brasileiro está vivenciando neste momento absolutamente histórico. Estas eleições definirão os rumos do que virá a seguir, e estamos nos empenhando bastante em dar visibilidade e ampliar a mensagem que Lula traz para o povo, bem como sua atuação enquanto líder continental”, detalha Abregú.

Na avaliação feita por integrantes da Alba, estas eleições, baseadas na militância digital, têm um caráter bastante emotivo. “Estas eleições estão muito centradas na emoção. As pessoas votarão com base em informações que gerem impacto — seja negativo ou positivo — na campanha de Lula, em vez de se basearem em uma reflexão mais política sobre o futuro do projeto para o Brasil. Observamos que existe um campo de disputa muito intenso no ambiente digital, com uma presença marcante — como vimos nas últimas semanas — de mobilizações nas ruas.”

Abregú adverte que é muito incerto o resultado que pode vir das urnas no domingo (25), já que, apesar da mobilização nas ruas, há um sintoma de apatia política.

“Se considerarmos o precedente das eleições que presenciamos na Colômbia, no Peru e no Chile — onde também houve mobilizações, inclusive no segundo turno —, os resultados acabaram sendo desfavoráveis. Além disso, acreditamos que o alto índice de abstenção e de votos anulados está relacionado a esse sintoma: a apatia política. Acreditamos que interpretar que a vitória virá apenas pela correlação de forças nas ruas — embora, para nós da esquerda, seja doloroso admitir isso — é uma leitura equivocada. Afinal, no domingo, pode surgir um cenário bastante negativo — algo que, de certa forma, queremos tentar amenizar ou amortecer.”

As últimas pesquisas eleitorais apontam empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os veículos presentes nesta cobertura estão os argentinos ARG Medios, Nodal, El Grito del Sur e Marcha Notícias, o chileno El Ciudadano, o venezuelano El Alboroto Creativo, o uruguaio Desembarco, o mexicano La Disputa, o estadunidense BreakThrough News e o libanês Al Mayadeen. Do Brasil, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé também faz parte do grupo.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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