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Atacado por Flávio Bolsonaro, Bolsa Família foi essencial para tirar o Brasil do Mapa da Fome

Especialista destaca que o programa resgata famílias da miséria, combate o trabalho infantil e estimula micronegócios

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2,06 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre janeiro e outubro de 2025 | Crédito: Roberta Aline / Ministério do Desenvolvimento Social

O Bolsa Família voltou ao centro do debate político depois que, mais uma vez, passaram a estigmatizar o maior programa de distribuição de renda da história do país, bem como seus beneficiários e beneficiárias. O senador Flávio Bolsonaro (PL), contumaz crítico do programa, já chegou a chamá-lo de “Bolsa-Farelo” em uma postagem antiga que o candidato chegou a apagar no X.

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reajustou o Bolsa Família, a equipe econômica de Flávio já anunciou que pretende fazer uma transição de dois anos para retirada de beneficiários do programa.

Ao jornal É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Barbara Barbosa, coordenadora da plataforma Ju do Bolsa, aponta que a campanha de Flávio despreza as mulheres e a população das classes D e E. “Por isso, há uma desvalorização da relevância de políticas públicas, como o Bolsa Família”, afirma.

“Bolsa Família, por exemplo, é uma política pública que traz uma política que resgata muitas pessoas da situação de miséria, da extrema pobreza”, explica.

Barbosa também destaca o caráter de aporofobia e xenofobia contidos nas críticas ao Bolsa Família. “A gente sabe como o bolsonarismo tende a olhar para as pessoas pobres, para as pessoas nordestinas e para as mulheres. No mundo do Flávio, nós, que somos beneficiárias de alguma política pública, como o Bolsa Família, não temos espaço, não temos lugar. A gente não sobrevive nesse mundo”, alerta.

Um mito muito repetido é que as pessoas que são beneficiadas pelo Bolsa Família não trabalham e, portanto, seriam acomodadas. “As pessoas que recebem o Bolsa Família são pessoas que trabalham, sim. Elas estão sempre fazendo algum tipo de bico. Elas são pessoas que transitam ali em situações de fazer bico, ter o próprio negócio, microempresa, trabalhar de carteira assinada. Isso é muito comum mesmo nessa população, que são mais de 50 milhões de pessoas”, aponta.

 Barbosa explica que, ao contrário do que bolsonaristas dizem, as pessoas “não ficam presas no Bolsa Família”, já que o programa é uma porta de entrada para que pessoas saiam de uma situação miserável. Mas ele tem uma porta de saída e, se precisar, as pessoas podem retornar.

“Tem dados que mostram como essa realidade de fato acontece. O próprio Banco Mundial diz que 70% da renda das beneficiárias vêm de trabalho mesmo. E eu estou dizendo ‘das’ porque a maioria que recebe Bolsa Família são mulheres, que são chefes de casa. Para a maioria, o Bolsa Família significa conseguir pagar um atendimento especializado para sua criança, que é atípica, significa conseguir investir um pouquinho de dinheiro ali no seu micronegócio, significa colocar comida na mesa todos os dias”, detalha.

Bárbara Barbosa também avalia que o Bolsa Família impacta positivamente as futuras gerações. “Quando a gente vê a criança, essas próximas gerações que passaram a receber historicamente o Bolsa Família, a gente percebe que há uma saída progressiva dessa família, dessa situação de pobreza e miséria”, afirma. “A gente fala muito sobre os filhos do Bolsa Família, então eles têm saído do programa por quê? Tem conseguido mais oportunidades para estudar, tem livrado as crianças do trabalho infantil”, pontua.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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