O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam nesta sexta-feira (23), às 21h20, no último debate antes do segundo turno, marcado para domingo (25). O encontro será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro (RJ), com mediação do jornalista César Tralli.
Os candidatos chegam ao debate em situação de empate técnico. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) mostra os dois com 50% dos votos válidos, com queda de Flávio Bolsonaro e crescimento de Lula em relação às rodadas anteriores. Já o levantamento Real Time Big Data, divulgado nesta sexta, aponta o senador com 52% e o presidente com 48%, diferença no limite da margem de erro.
O confronto também acontece em meio à disputa sobre a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos, desafio lançado por Lula no debate da Band, no domingo (18), e que ainda depende de uma definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre como os dados serão divulgados.
Como será o debate
O debate terá quatro blocos, além das considerações finais. No primeiro, serão seis rodadas de perguntas sobre diferentes regiões do país e um tema prioritário nacional. Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta, resposta, réplica e tréplica. Por sorteio, Lula abre o debate.
No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolherão os temas das perguntas entre as opções exibidas no telão, com a mesma divisão de tempo. Nos três primeiros blocos, quem estiver com a palavra poderá circular pelo cenário, enquanto o adversário permanece no púlpito.
O quarto bloco será de tema livre. Cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções, e poderá se movimentar pelo próprio lado do cenário. Depois do debate, Lula e Flávio Bolsonaro poderão conceder entrevistas coletivas de dez minutos cada, nessa ordem, definida por sorteio.
Sem checagem na TV
A checagem das declarações dos candidatos será feita pelo serviço Fato ou Fake, com publicação em veículos do grupo Globo. A transmissão da TV, que tem o maior alcance, não terá verificação em tempo real.
A checagem ao vivo na TV foi cobrada pela campanha de Lula depois do debate da Band, em que Flávio Bolsonaro repetiu uma série de informações falsas. Na quinta-feira (22), militantes do Levante Popular da Juventude fizeram um ato em frente à sede da emissora para exigir a verificação também na transmissão.
Cobertura do Brasil de Fato
O Brasil de Fato terá cobertura especial do debate. Durante o encontro, a redação acompanha em tempo real as falas e os embates entre os candidatos, com publicações no site e nas redes sociais do BdF.
Ao fim do debate, os jornalistas Nina Fideles e Igor Carvalho analisam ao vivo o desempenho dos candidatos no canal de YouTube do BdF e na Rádio Brasil de Fato (98.9 FM), com mediação do também jornalista do BdF Afonso Bezerra. A cientista política Priscila Lapa, doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco, participa com análises e comentários.
Expectativa
A expectativa é que Flávio Bolsonaro adote um tom mais moderado, depois de críticas de aliados à postura agressiva do senador no debate da Band. Para o advogado e cientista político Jorge Folena, a mediação precisa impedir que ataques sem fundamento se repitam.
“O Flávio chamou Lula de ladrão, e isso é calúnia. Caso isso venha a acontecer, o apresentador, o mediador, precisa imediatamente interromper e informar que ele não pode fazer esse tipo de assertiva sem ter uma base”, afirmou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

