Enquanto apoiadores da campanha de Lula relatavam dificuldades para conseguir materiais de campanha em diferentes localidades de Pernambuco, moradores dos distritos de Nascente e Gergelim, em Araripina, no Sertão do estado, organizaram por conta própria a produção de bandeiras e adesivos para realizar atos em apoio à reeleição do presidente. As manifestações aconteceram nos dias 17 de outubro, em Nascente, e 21 de outubro, em Gergelim. A mobilização reuniu centenas de pessoas a partir de um grupo de WhatsApp, com trabalho voluntário, doações e colaboração de moradores dos distritos e da cidade de Araripina, que garantiu 32.160 votos para o petista no primeiro turno.
Em Nascente, a chuva chegou no momento em que os moradores se preparavam para sair em caminhada em apoio a Lula. Após dias sem precipitações, a água foi recebida como sinal de alegria e esperança, sentimentos que também marcaram a mobilização. Mesmo com a mudança no tempo, os participantes seguiram pelas ruas, levando às bandeiras e aos gestos coletivos a expectativa de um futuro melhor para o país.
A iniciativa envolveu professores, agricultores, autoridades locais, comerciantes, estudantes e demais integrantes da comunidade. Em vez de esperar pela chegada de materiais, os participantes se articularam para viabilizar os recursos necessários e levar às ruas a manifestação de apoio à candidatura de Lula.
Uma das pessoas envolvidas na organização foi Elielde Coelho, professora formada e especializada pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), instituição pública cuja importância em sua trajetória ela relaciona às políticas educacionais dos governos Lula. Elielde participou da confecção das bandeiras, ajudou a reunir os materiais necessários e também atuou na distribuição dos objetos durante os eventos.
Segundo Elielde, a articulação começou em um grupo de WhatsApp que reunia moradores de Nascente e Gergelim. A partir das conversas, mais pessoas foram aderindo à proposta em poucos dias.“Fomos unindo e, em poucos dias, tinham centenas de pessoas”, conta.
A organização dos atos foi sustentada pela participação voluntária e pela contribuição de pessoas que se dispuseram a ajudar de diferentes maneiras. Parte dos recursos para a compra dos adesivos veio de doações feitas por moradores dos próprios distritos e também de Araripina. Algumas bandeiras, por sua vez, foram obtidas por meio de um comitê de campanha.
A confecção de parte dos materiais também mobilizou uma rede de colaboração. Elielde trabalhou ao lado de amigas e amigos para preparar as bandeiras e reunir os itens necessários. Moradores também contribuíram com tecidos e cabos de vassouras e canos de PVC para a confecção dos materiais. Durante os atos, ela ajudou a distribuir as bandeiras entre os participantes. “Foi tudo feito coletivamente e voluntariamente”, resume a professora. A arrecadação de recursos, a doação de materiais e a divisão de tarefas permitiram que os próprios apoiadores contribuíssem para a realização dos eventos, de acordo com suas possibilidades.
A formação de Elielde em uma universidade pública também integra sua relação com o projeto político que defende. Professora formada pela Universidade Estadual do Piauí, ela destaca a importância das oportunidades de acesso à educação e das políticas de inclusão social em sua avaliação sobre os rumos do país.
A defesa da educação pública também aparece na fala de Ednalva Santos, professora e mestra em Diversidade Biológica pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Ao destacar as oportunidades que a educação proporcionou em sua trajetória acadêmica, ela ressaltou o potencial transformador do ensino e a importância de garantir oportunidades às novas gerações.
“Consegui verba para ir apresentar meus trabalhos nos mais diversos estados do Brasil e a educação, eu posso dizer pra vocês, ela transforma […] Eu vejo muito potencial nos nossos alunos e a gente não pode entregar o nosso país assim de mão beijada para outros países”, afirmou.
Ednalva também convocou os eleitores a refletirem sobre o impacto das escolhas políticas na vida da população, especialmente das crianças, dos idosos e dos trabalhadores. Em sua fala, a professora relacionou a defesa da democracia à garantia de direitos sociais e previdenciários.
“Quando vocês forem votar no próximo domingo, por favor, tenham consciência, pensem nas nossas crianças, nos nossos idosos, nos nossos pais, que a gente quer que se aposentem, nos professores, que a gente quer que se aposentem. É pela democracia. Por isso: 13!”, declarou.
Em uma carta aberta, escrita a partir de sua perspectiva sobre a realidade dos distritos de Nascente e Gergelim, Elielde defende a continuidade da democracia e convida a população a refletir sobre os projetos políticos em disputa nas eleições.
No texto, ela ressalta a importância da Constituição Federal e dos direitos conquistados ao longo de diferentes gerações. “Essa não é uma simples eleição, é um momento histórico onde temos duas opções. A primeira é continuarmos com a nossa constituição, conquistada com suor e muita luta de várias gerações. A segunda opção é entregar o nosso povo, a nossa gente, a nossa cultura, o nosso país e os nossos direitos nas mãos de quem vai governar em favor da elite”, escreve.
A professora também faz um apelo especialmente à população nordestina, chamando a atenção para o que considera um histórico de menosprezo à região por parte da oposição. Em sua carta, ela pede que os eleitores analisem a trajetória política e econômica do Brasil e comparem os períodos de governo, considerando as políticas de inclusão social e os programas sociais implementados.
Ao abordar a experiência dos governos petistas, Elielde destaca a importância de políticas públicas que contribuam para ampliar direitos e oportunidades. Sua própria formação em uma instituição pública faz parte dessa reflexão sobre o papel da educação no desenvolvimento do país.
Na conclusão da carta, ela manifesta esperança na continuidade de um Brasil democrático e livre, reforçando a importância da participação popular nas decisões políticas.
Para Elielde, os dois atos nos distritos foram marcados pela participação popular e pelo significado político da iniciativa. A professora avalia que a adesão das pessoas expressou o desejo de continuidade da democracia no país.
“Os dois eventos foram maravilhosos. Está claro que o povo quer continuar em um país democrático”, afirma.
A mobilização em Nascente e Gergelim mostra como a articulação entre moradores pode transformar uma intenção política em uma ação coletiva. A experiência também inspirou Elielde a escrever uma poesia, na qual expressa suas reflexões e expectativas em relação ao futuro do país. Assim como na carta aberta, a professora aborda a importância da participação popular e da defesa da democracia. Confira na íntegra:
Brasileiros e brasileiras
Da nossa querida nação
Hoje venho lhe pedir
De todo meu coração
Vote consciente nesta eleição
Não é uma simples eleição
É um momento crucial
Para nossa população
Nela você está direcionando
A futura geração
Relembre com atenção
Os anos que antecedem
A história do PT
Aí você vai entender
O porquê dessa poesia
Veja que hoje em dia
Criança do Nordeste
Não anda com o pé no chão
Ela estuda com dignidade
Lutando por igualdade
Não é justo um ditador
Lhe tirar esse direito
Merecemos ter respeito
Somos um povo trabalhador
Maria Elielde Ferreira Coelho

