A Meta — dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp —, redes social X e o Google não encontraram irregularidade ou de violação de regras por parte do canal “Exército do Lula”, segundo relatórios enviados nesta sexta-feira (23) ao ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo a Meta, não há indícios de “comportamento inautêntico coordenado”. A conclusão é preliminar. A big tech afirmou que ainda há outras publicações pendentes de verificação e pediu mais cinco dias para uma resposta completa. O pedido de extensão do prazo se dá porque a empresa recebeu, na tarde desta sexta, um pen drive entregue pela equipe do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).
A empresa reclamou do prazo classificado como curto, “diante da extensão e da complexidade técnica” do que o presidente do TSE pediu. “Tratam-se de doze alíneas que abrangem três serviços distintos (Instagram, Facebook e Threads, de um lado, e WhatsApp e Canais, de outro) e dependem de extrações, revisões e validações internas que não se completam nesse intervalo”, diz a empresa.
Na quinta (22), Nunes Marques deu o prazo de 24 horas para que a empresa de tecnologia apresentasse um relatório detalhado sobre as atividades do canal pró-Lula no WhatsApp administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
A militância digital do deputado mineiro fez com que o grupo alcançasse dez milhões de participantes nesta sexta. Mais cedo, circulou nas redes sociais que o presidente do TSE poderia derrubar o grupo durante o debate que acontece nesta sexta na TV Globo.
A decisão foi tomada após o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno pedir que o tribunal cheque se a Meta tem cumprido, em relação ao canal de Janones, o que está no plano da big tech para prevenir e reduzir riscos à integridade do processo eleitoral.
A big tech acrescentou ainda que a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE já concluiu que o plano de conformidade atende aos requisitos da corte.
Google e X
O Google afirmou que não detectou ameaça cibernética, tráfego automatizado, ataques por scripts ou infraestrutura de bots, nem violações de políticas da plataforma de buscas, indicando a atuação de usuários reais.
A plataforma informou que mantém sistemas permanentes para filtrar pesquisas automatizadas e que os números do Google Trends não permitem concluir que houve fraude ou coordenação ilícita. “Uma alta repentina nas buscas também pode decorrer da repercussão de um assunto”, apontou.
A rede social X analisou 58 hashtags, que somaram cerca de 8,2 milhões de publicações por aproximadamente 476 mil contas. O caso mais expressivo foi o da #PesquiseBolsonaroMandouMatarLula, que teve 307.583 publicações só na primeira hora.
Segundo a X, cerca de 97% das contas analisadas não apresentaram sinais de automação, redes de perfis falsos ou operação irregular de múltiplas contas. A empresa afirmou ter encontrado indícios de comportamento inautêntico: 12.454 contas foram suspensas, e outras 398 passaram por reverificação por telefone.


