Censura?

Exército do Lula x Nunes Marques: rumores acendem alerta de nova suspensão antes de debate na Globo

Janones fecha canal no WhatsApp para pressionar e impedir que seja bloqueado pelo TSE

Janones
O deputado federal André Janones é recebido por apoiadores ao deixar o hospital | Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal “Exército do Lula”no WhatsApp e que conta com quase 9 milhões de seguidores, decidiu fechar o canal do começo da tarde desta sexta-feira (23) para impedir o bloqueio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na sequência, ele anunciou que o grupo será reaberto quando atingir 10 milhões de seguidores, como forma de pressão ao TSE. A medida foi tomada após rumores de que o canal seria derrubado durante o debate entre os presidenciáveis pela Rede Globo.

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A possibilidade ganha força em meio às recentes movimentações no TSE, que discute medidas para restringir a atuação de grandes canais políticos na véspera da votação. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira, o presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, declarou que “o ideal é não mudar as regras às vésperas da eleição, mas pode ser necessário”.

Na quinta-feira (22), Marques deu prazo de 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico sobre o funcionamento do canal. A decisão atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e busca apurar suspeitas de atuação coordenada para ampliar a circulação de conteúdos e influenciar tendências de busca nas plataformas digitais. O ministro também determinou que Google e X informem se identificaram ações coordenadas envolvendo termos e hashtags divulgados entre 18 e 20 de outubro. A medida não determina, por si só, o bloqueio do canal: a Meta deverá apresentar os dados solicitados para subsidiar a análise da Justiça Eleitoral.

Essa não é a primeira vez que há tentativas de bloquear o canal. Em 11 de outubro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia determinado a suspensão do “Exército do Lula”, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão foi posteriormente revertida, de forma provisória, pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que restabeleceu o funcionamento do canal até a análise do caso pelo plenário da Corte.

A discussão voltou ao centro do debate após a divulgação de uma minuta elaborada pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, que prevê restrições a canais políticos do WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação. A proposta foi discutida entre os ministros, mas ainda depende de deliberação colegiada.

Em nota, o TSE afirmou que houve consenso entre os ministros sobre a necessidade de tratar do tema, mas ressaltou que o texto permanecia em discussão e que qualquer versão final dependeria de aprovação do colegiado.

O episódio ocorre em meio à disputa judicial entre as campanhas e às discussões sobre desinformação, tratamento igualitário entre candidaturas e os limites da atuação da Justiça Eleitoral sobre canais de comunicação política.

Editado por: Juliana Passos

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