pela democracia

Joice Hasselmann: ‘Sou de direita e voto Lula; Flávio é o pior do clã Bolsonaro, é um bandido’

Ex-deputada bolsonarista afirma que ao perceber o 'risco real' de Flávio chegar a presidência decidiu se posicionar

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Joice Hasselmann | Crédito: Reprodução/Youtube Brasil de Fato

Ex-bolsonarista e próxima da família Bolsonaro, a jornalista, escritora e ex-deputada federal Joice Hasselmann rompeu o silêncio que estava procurando adotar nos últimos tempos e declarou o voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para preservar a democracia.

Além do vídeo de apoio a Lula, Hasselman concedeu diversas entrevistas em que conta com detalhes como foi conviver com o clã, as razões para o rompimento com os bolsonaristas e acusar o ex-presidente Jair Bolsonaro de ligação direta com as agressões que ela sofreu em 2021, quando ainda era deputada federal, dentro do próprio apartamento. Em entrevista ao Brasil 247, a jornalista afirmou categoricamente: “Bolsonaro tentou me matar”.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil Brasil de Fato, Hasselmann afirma que nunca acreditou que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) teria tração suficiente para que ele vencesse, por isso não havia feito qualquer posicionamento contundente. No entanto, diante do resultado do primeiro turno, optou por abandonar a neutralidade.

“Quando eu vi que havia uma chance de Flávio Bolsonaro, que é o pior do clã Bolsonaro, que é um bandido, que é bandido de primeiríssima classe, virar presidente da República, eu pensei: ‘Não, eu não posso ficar de braços cruzados’. Mesmo sendo uma mulher de direita, não posso ficar de braços cruzados enquanto eu vejo um miliciano que pode levar o Comando Vermelho para dentro do Palácio do Planalto”, aponta.

Ela afirma que sentiu responsabilidade por ter sido a deputada federal mais votada naquela época a se posicionar. “Sou a mulher que conheceu essa gente por dentro e, por conhecer, rompeu com eles”, frisa.

Hasselmann relata que “tem divergências históricas com Lula e com o PT” e lembra que foi autora da biografia do ex-ministro e agora governador eleito do Paraná, Sérgio Moro (PL). “Fui muito lavajatista naquela época, mas depois o tempo foi passando e as coisas se descortinando”, pontua.

Além disso, a jornalista conta que muitas pessoas do seu círculo, inclusive influenciadas por ela, votaram nulo. “Mas não dá para votar nulo. Só tem um caminho para a democracia, que é votar no Lula. Ainda que eu discorde com a maioria das pautas dele e do PT. Eu concordo com as pautas sociais. As pautas econômicas, a gente discorda de quase tudo. Mas o Lula é um democrata. Com ele dá pra debater. O Lula já perdeu eleições e aceitou a derrota. O Bolsonaro, quando perdeu, tentou dar um golpe no Brasil. O Flávio Bolsonaro é envolvido com tudo quanto é tipo de crime do colarinho branco e de crimes ligados às milícias”, afirma.

Falsa simetria

Quando ainda era repórter, Joice Hasselmann assinou diversas matérias na Veja contrárias a Lula e ao PT. Na semana passada, a revista publicou uma reportagem implicando Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro, baseada em um áudio que a própria Polícia Federal declarou ser falso.

A jornalista avalia como a imprensa comercial tem se comportado e não poupa críticas à falsa simetria que muitos colegas ainda usam. “Essa tropa da extrema direita que comanda o gabinete do ódio que ainda existe, só não tem o tamanho que tinha quando funcionava no Palácio do Planalto. Eles são especializados em produzir fake news e existe uma parte da imprensa que é descaradamente bolsonarista, que é gente que ganhou muito dinheiro no governo Bolsonaro”, acusa.

“Para mim, como jornalista, é lamentável, porque a gente que é jornalista sabe distinguir a mentira e a verdade. A tia do zap não sabe e vai passar para frente”, ressalta.

Hasselmann critica a comparação que tem sido feita sobre Fábio Luiz, filho de Lula, que, como destaca a jornalista, “nem candidato é”, na intenção de atingir o presidente, com Flávio Bolsonaro, “que tem uma lavanderia há muitos anos”. “Flávio pediu R$ 134 milhões para Vorcaro para lavar dinheiro e é sócio de um advogado que movimentou R$ 5 bilhões. As pessoas realmente acham que esse dinheiro é limpo?”, questiona.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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