ELEIÇÕES 2026

Leandro Grass cobra explicações de Celina Leão sobre BRB-Master e negócios da família

Candidato ao GDF apresentou nove pontos que considera sem resposta pela governadora

Leandro Grass ao lado de Dora Gomes e Guilherme Guimarães durante encontro com a imprensa na sede nacional do PT, em Brasília, nesta sexta-feira (23)
Leandro Grass ao lado de Dora Gomes e Guilherme Guimarães durante encontro com a imprensa na sede nacional do PT, em Brasília, nesta sexta-feira (23) | Crédito: Kennedy Cruz/BdF DF

O candidato ao governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) cobrou explicações da governadora Celina Leão (PP), com quem disputa o segundo turno das eleições no Distrito Federal, sobre a negociação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, os pagamentos recebidos por uma empresa ligada à família da candidata e as relações políticas de pessoas próximas ao governo. 

Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (23), na sede nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília, Grass apresentou nove questionamentos sobre esses temas. O candidato estava acompanhado da vice em sua chapa, Dora Gomes (PV), do presidente do PT, Guilherme Guimarães, e de integrantes da coordenação de campanha.

O material, organizado sob o título “O que Celina Leão precisa explicar”, reúne questionamentos sobre o caso BRB-Master, a Operação Drácon, contratos públicos, negócios da família da governadora e gastos do governo do Distrito Federal (GDF) com publicidade. 

Ao apresentar os tópicos, Grass afirmou que as informações deveriam ter sido discutidas em debates eleitorais, mas criticou a ausência da adversária nesses encontros. “É a primeira vez na história do Distrito Federal que uma candidata ou um candidato se nega a um debate no segundo turno. Isso representa um desrespeito ao povo de Brasília. Representa um desrespeito à imprensa. Representa um desrespeito à democracia do nosso país”, disse.

Caso BRB-Master e relações políticas

O primeiro bloco da apresentação tratou da negociação envolvendo o BRB e o Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. Com base em informações publicadas pelo portal Uol, Leandro Grass mencionou suspeitas de um acordo que envolveria R$ 400 milhões em propina, dos quais R$ 80 milhões teriam sido adiantados em dinheiro vivo, além de uma participação de 5% no novo banco para o então governador Ibaneis Rocha (MDB), caso a operação se concretizasse.

O candidato também questionou a relação entre Celina, Ibaneis e Leonardo Valverde, apontado no material como intermediário nas negociações. A apresentação menciona encontros, vínculos políticos e a nomeação de Adriana Valverde, mãe de Leonardo, para um cargo comissionado no gabinete de Celina quando ela presidia a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em 2016.

Slide apresentado por Leandro Grass reúne questionamentos sobre a relação de Celina Leão com Leonardo Valverde
Slide apresentado por Leandro Grass reúne questionamentos sobre a relação de Celina Leão com Leonardo Valverde | Crédito: Reprodução/campanha de Leandro Grass

Outro ponto envolve uma mensagem atribuída a Vorcaro, enviada ao publicitário Thiago Miranda em 5 de abril de 2025, na qual o empresário teria afirmado que Celina não ficou de fora da operação. Grass questionou como a então vice-governadora poderia desconhecer a negociação, considerando a proximidade política com Ibaneis e o fato de o presidente do PP, Ciro Nogueira, ter indicado Paulo Henrique Costa para presidir o BRB.

“Celina, vice-governadora, com gabinete ao lado do de Ibaneis e indicada por ele para sucedê-lo, nada sabia sobre o Master? Ela orientou os dois deputados do PP a votar contra ou a favor da compra do Master pelo BRB? Por que aceitou como vice o braço direito de Ibaneis, se diz não ter nada a ver com ele?”, questionou o candidato.

A apresentação também aborda os valores recebidos por Engels Muniz (Republicanos), administrador do escritório de advocacia de Gustavo Rocha, candidato a vice-governador na chapa de Celina. Segundo os dados exibidos por Grass, o escritório teria recebido R$ 65,7 milhões do Banco Master e de empresas contratadas pelo GDF. Desse total, R$ 56,4 milhões seriam provenientes da Auto Viação Marechal e da Sustentare, enquanto R$ 9,3 milhões teriam vindo de um fundo ligado ao Master e Vorcaro.

Empresa da família e contratos públicos

A apresentação também retomou questionamentos sobre a Faceng Engenharia, empresa ligada ao marido e à filha de Celina, que recebeu pagamentos da Real JG, da 3J Facilities e do Grupo Foco. Grass afirmou que a campanha levou o caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) há mais de um mês e cobrou esclarecimentos sobre os serviços prestados.

“Ao todo, foram R$ 3,3 milhões pagos à Faceng Engenharia em 21 notas fiscais, de maio de 2025 a julho de 2026. Os sócios da empresa são Fabrício Faleiro, marido de Celina, e Bruna Leão, filha da governadora. As notas só dizem ‘serviços de engenharia civil’, sem obra, sem endereço, sem medição”, afirmou.

Grass também abordou a relação comercial entre Celina e Edmundo Pinheiro, proprietário da empresa de transporte coletivo Urbi. A governadora, o marido e o empresário compraram conjuntamente metade de um embrião de gado da raça Nelore por cerca de R$ 500 mil, em setembro de 2025. Dois dias depois, teria sido assinado um aditivo ao contrato da Urbi com o GDF.

Em agosto de 2026, ainda segundo o material, Celina encaminhou à CLDF uma proposta de crédito de R$ 508,5 milhões para concessionárias de transporte. Grass questionou a relação entre os negócios privados e os contratos públicos. “Ela acha ético ter sociedade com dono de empresa que tem contrato com o governo dela? O Distrito Federal merece essas respostas. E é por isso que nós estamos aqui para cobrar mais uma vez todas as coisas que ainda ninguém fez”, declarou.

Operação Drácon e processos judiciais

A situação judicial de Celina também foi abordada. A governadora é ré em dois processos relacionados à Operação Drácon, iniciada em 2016, que investigou suspeitas de corrupção envolvendo emendas parlamentares na CLDF.

Em um dos casos, Celina foi absolvida em primeira instância por falta de provas, em março de 2025. O Ministério Público recorreu e, em abril de 2026, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) encaminhou o recurso ao Conselho Especial. O outro processo trata de suspeitas de improbidade administrativa por supostas vantagens indevidas em emendas parlamentares.

Grass criticou a demora na tramitação dos processos e afirmou que a defesa teria adotado medidas protelatórias. “É impressionante que, dez anos depois de uma operação como essa, não se tenha ainda o resultado. Não se tem uma conclusão do Estado e julgado para que a gente entenda se de fato ela é culpada ou inocente”, disse Grass.

O candidato também abordou a atuação da Justiça Eleitoral durante a campanha. Segundo os dados apresentados, a campanha de Celina ingressou com 35 ações contra a candidatura de Grass. Desse total, 14 foram julgadas improcedentes e arquivadas, 14 tiveram liminares indeferidas, cinco resultaram em liminares parciais e duas decisões favoráveis à campanha de Celina estão em fase recursal.

Slide apresentado pela campanha de Leandro Grass mostra o balanço de 35 processos eleitorais movidos contra a candidatura do petista
Slide apresentado pela campanha de Leandro Grass mostra o balanço de 35 processos eleitorais movidos contra a candidatura do petista | Crédito: Reprodução/campanha de Leandro Grass

O Brasil de Fato DF procurou a assessoria da governadora Celina Leão para comentar os questionamentos apresentados por Leandro Grass, mas foi informado de que ela não comentaria o assunto.

Denúncias e cobranças

Além dos questionamentos sobre os negócios da governadora e de pessoas próximas a ela, Leandro Grass acusou a campanha adversária de utilizar a estrutura do governo em benefício eleitoral. “Essa campanha também foi marcada pelo abuso do poder político, do uso da máquina pública, da estrutura governamental, como nunca antes aconteceu na história dessa cidade. O uso de cargos comissionados, secretários, fazendo a campanha de Celina em horário de expediente”, declarou.

Grass também voltou a criticar a circulação de um vídeo manipulado por inteligência artificial com uma imitação de sua voz. Segundo ele, o conteúdo foi compartilhado em grupos de WhatsApp por pessoas que seriam ligadas ao governo e à campanha de Celina.

Na apresentação, o petista também retomou críticas aos gastos do GDF com publicidade, que, segundo os dados exibidos, somaram R$ 309,3 milhões entre janeiro de 2025 e setembro de 2026. Ele questionou a destinação de recursos públicos a portais que classificou como de baixa audiência.

Slide apresentado pela campanha de Leandro Grass reúne seis questionamentos dirigidos à governadora Celina Leão
Slide apresentado pela campanha de Leandro Grass reúne seis questionamentos dirigidos à governadora Celina Leão | Crédito: Reprodução/campanha de Leandro Grass

Questionado sobre os próximos passos, Grass afirmou que pretende continuar levando as denúncias aos órgãos competentes, independentemente do resultado do segundo turno, marcado para este domingo (25). “Nós não vamos deixar que isso seja abafado, colocado debaixo do tapete, como foram tantas outras coisas aqui no Distrito Federal. O escândalo do BRB está debaixo do tapete. O desvio de dinheiro na saúde, desde lá do primeiro governo Ibaneis, está debaixo do tapete. Esses processos estão parados há anos. Nós vamos insistir”, afirmou.

“Vamos até o final, até as últimas consequências, para que haja responsabilização sobre todas as irregularidades da campanha e as irregularidades que nós trazemos aqui. Seja através dos nossos mandatos na CLDF, através dos nossos partidos, seja através da nossa equipe jurídica, nós vamos até o final”, completou o candidato.


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Editado por: Clivia Mesquita

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