falsa simetria

Na Globo, eleitor verá confronto entre o extremismo que mente e o campo democrático, analisam especialistas

Cientistas políticos apontam falsa simetria na polarização e destacam o desafio de manter a civilidade no último embate

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, em São Paulo (SP), em 18 de outubro de 2026
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, em São Paulo (SP), em 18 de outubro de 2026 | Crédito: Marina Uezima/Brazil Photo Press/AFP

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados com 50% de votos válidos cada, excluindo, portanto, brancos, nulos e indecisos. Os números apontam uma queda do bolsonarista e um crescimento de Lula. Na primeira pesquisa sobre o segundo turno, Flávio tinha 52% e Lula, 48%. Na segunda, o bolsonarista tinha 51% e o petista, 49%.

O levantamento foi divulgado na esteira do último confronto direto entre os candidatos, previsto para acontecer na Globo, às 21h20. A expectativa para o debate é que Flávio surja um pouco mais moderado, depois de críticas de aliados com relação à postura agressiva do senador na Band.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o advogado e cientista político Jorge Folena considera que o debate da Globo será uma arena complexa pelo histórico da emissora e pela postura no primeiro turno. “A Globo tem lado e isso precisa ficar claro. A Globo nunca tratou Lula com respeito”, aponta. “O que eu espero é que a Globo faça cumprir a Constituição, as leis.”

Folena afirma que, do ponto de vista jurídico, há coisas que aconteceram no debate da Band que não podem se repetir. “O Flávio chamou Lula de ladrão, e isso é calúnia. Caso isso venha a acontecer, o apresentador, o mediador, precisa imediatamente interromper e informar que ele não pode fazer esse tipo de assertiva sem ter uma base para dizer que Lula é ladrão”, explica.

Idealmente, segundo o advogado, seria interessante ver um debate de projeto para o país. No entanto, em se tratando de Flávio Bolsonaro, a expectativa não deve se cumprir. “Flávio tem no DNA dele o fascismo. O pai dele fazia isso, ele faz isso, os correligionários fazem o tempo inteiro, mentem descaradamente, não tem responsabilidade”, argumenta.

Pesquisas indicam estabilidade

A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que, por conta da polarização, essa eleição tem apresentado certa estabilidade a cada pesquisa. “A gente vem em um processo de estabilização das clivagens territoriais e demográficas, com o Nordeste votando maximamente no presidente Lula, Norte e Centro-Oeste tendo votado na direta, o Sul votando na direita e o Sudeste sendo esse swing voters”, aponta.

As classes mais altas vêm apresentando preferência no candidato à direita e as classes mais baixas no candidato de esquerda. “Essa relação, quando falamos no Sudeste, faz com que a disputa fique muito equilibrada”, pontua.

No aspecto de gênero, as mulheres majoritariamente vêm optando por Lula. “O antifeminismo e a misoginia são componentes da extrema direita, uma vez que aquilo que une os grupos em torno da extrema direita é uma defesa daquilo que chamamos de sociedade de valores tradicionais, na qual as mulheres têm papel subalterno O que é de surpreender é que há mulheres que têm aderido a essa ideologia”, afirma.

Para Goulart, política é um lugar de “deliberação e geração de consenso”, mas o bolsonarismo esvaziou esse espaço. O extremismo que tem gerado um clima de ringue tem “afastado as pessoas da política e isso é prejudicial à democracia como um todo”.

Mayra Goulart alerta para a falsa simetria quando se fala em polarização. “Não são dois polos simétricos. Temos um polo extremista de direita, que é radical, que é violento, que mente. E a gente tem um campo democrático com diversos atores que têm tentado resguardar o que sobrou de civilidade, de institucionalidade”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

* Este conteúdo foi produzido com apoio de ferramentas de Inteligência Artificial
Editado por: Gia Matheus Almeida

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