É o rap!

Revolução dos bichos: Amaro transforma música sobre violência social em filme de animação para novas gerações

Artista afirma que o cenário político atual foi motivação para concluir o projeto que reúne Taliz, Aborígine e Realleza

Ilustração da animação de “Revolução dos Bichos”, produzida pelo artista Amaro. A obra acompanha música que denuncia diferentes formas de violência e discriminação social
Ilustração da animação de “Revolução dos Bichos”, produzida pelo artista Amaro. A obra acompanha música que denuncia diferentes formas de violência e discriminação social | Crédito: Divulgação/Arte: Amaro

O artista Amaro lançou nesta semana, uma animação para a música “Revolução dos Bichos”, faixa de 2018 que aborda diferentes formas de violência e discriminação social. Em entrevista ao Brasil de Fato DF, ele afirma que o cenário político atual reascendeu a motivação para concluir o projeto, que destaca a importância da arte para preservar a memória histórica e impedir que as violências sejam esquecidas.

A animação foi desenvolvida ao longo de aproximadamente um ano. Segundo Amaro, a ideia surgiu da reflexão sobre como a arte registra a história da humanidade, especialmente diante de períodos em que determinadas experiências são silenciadas ou apagadas. “Sabemos de coisas sobre determinados períodos porque algumas obras existiram, porque, dependendo do que a gente passa, algumas coisas são silenciadas, são apagadas e esquecidas”, afirma.

A partir dessa perspectiva, o artista buscou criar uma obra que pudesse alcançar também novas gerações. Ele descreve a proposta como uma espécie de “Revolução dos Bichos só para baixinhos”, em referência à possibilidade de crianças assistirem à animação no futuro e refletirem sobre as ideias e os comportamentos das gerações anteriores.

“Pensar em fazer algo que lá na frente as crianças ainda podem assistir para a gente não deixar que esse período que a gente viveu; todas as violências, todos os medos, não deixar que esse período seja apagado pela história”, explica Amaro.

Uma música que continua atual

Apesar de ter sido lançada em 2018, “Revolução dos Bichos” permanece atual. Para Amaro, a decisão de concluir a animação ganhou força durante o primeiro turno das eleições de 2026, quando o artista, que inicialmente não pretendia publicar o trabalho naquele momento, voltou a se dedicar ao projeto.

“Tudo o que tem acontecido, o primeiro turno me acendeu de novo esse fogo para finalizar essa animação”, conta.

O artista afirma que a permanência dos temas abordados na música também provoca um incômodo. Para ele, é significativo perceber que, quase oito anos depois, a faixa continua dialogando com questões do presente.

“É muito legal quando você tem uma música e as pessoas falam: ‘caraca, essa música ainda soa muito atual’. Mas quando eu paro e penso que essa música foi lançada em 2018, a gente já está praticamente há oito anos; daqui a pouco a música faz 10 anos”, diz.

A letra aborda diferentes formas de violência e discriminação por meio de referências à caça e ao aprisionamento e animais. Os versos tratam de racismo, violência contra mulheres, homofobia e gordofobia, questionando estruturas sociais que marginalizam determinados grupos.

Em um dos trechos, o rap diz: “Medalha de ouro é pouco pro porco, que sangra, lucro, com a pela da gente, cês inocente, vão passando repelente”

A música reúne as vozes de Taliz, Aborígine e Realleza, além de Amaro, que também assina a composição da música. A produção musical é de LP THEDoctor, enquanto Amaro responde pela concepção visual, ilustração e animação do vídeo.

Revolução dos Bichos
Música foi relançada em 21 de outubro | Crédito: Divulgação/Arte: Amaro

Rap como instrumento de denúncia

Outro aspecto que motivou a conclusão do projeto foi o crescimento das discussões sobre o chamado “rap de direita”. Amaro afirma ter se surpreendido com a dimensão que o debate ganhou e aproveita a animação para reafirmar sua visão sobre a relação entre o hip-hop e a crítica social.

“Então, no finalzinho tem uma mensagem sobre o rap historicamente não ser de direita, a cultura não cabe pensar num rap ou numa cultura hip-hop de direita”, afirma.

Para o artista, a força da música está justamente na capacidade de denunciar desigualdades e refletir sobre o contexto em que é produzida. A defesa do rap como expressão política, segundo ele, está ligada à própria essência da cultura.

“A força que tem essa música para mim é muito essa essência do que é rap: um rap no lugar de denúncia, um rap no lugar de pensar o seu próprio tempo”, destaca.

A animação de “Revolução dos Bichos” está disponível no YouTube (acesse aqui)


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Editado por: Flavia Quirino

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