ELEIÇÕES 2026

Sem Celina, Leandro Grass critica gestão do DF e questiona destino de recursos da saúde em entrevista à TV Globo

Candidato rebateu acusações da governadora e citou aplicação de R$ 120 milhões do Fundo de Saúde no BRB

Leandro Grass (PT) durante entrevista à TV Globo, na noite de quinta-feira (22)
Leandro Grass (PT) durante entrevista à TV Globo, na noite de quinta-feira (22) | Crédito: Reprodução/TV Globo

A ausência de Celina Leão (PP) no debate da TV Globo, na noite de quinta-feira (22), transformou o confronto entre os candidatos ao governo do Distrito Federal no segundo turno em uma entrevista de 20 minutos com Leandro Grass (PT). A disputa será decidida neste domingo (25). Sem a governadora no estúdio, o petista aproveitou as perguntas do jornalista Heraldo Pereira para criticar a condução do governo distrital, questionar a destinação de recursos públicos e responder às acusações feitas pela adversária durante a campanha.

Celina justificou a ausência alegando que tinha outro compromisso agendado para a mesma data e horário. Pelas regras anunciadas previamente pela emissora, a falta de um dos candidatos levaria à realização de uma entrevista individual com o candidato presente.

Logo no início, Grass criticou a decisão da governadora e afirmou que os eleitores deveriam ter a oportunidade de comparar as propostas dos dois candidatos. “Era para ser um debate, virou uma entrevista, porque a Celina não veio. O que é muito triste é que, pela primeira vez, uma candidatura do segundo turno da eleição aqui no DF não vem a nenhum debate. Talvez ela pense que já ganhou a eleição. Talvez ela pense que você já decidiu por ela”, declarou o candidato.

Grass também respondeu às declarações de Celina Leão, que afirmou ter sido desrespeitada durante a campanha. “Quero aproveitar também o que ela disse sobre não ter participado dos debates, alegando que foi vítima e que foi desrespeitada. Nunca desrespeitei a Celina Leão, nunca. Aliás, eu a trato com todo respeito, como trato todo mundo”, declarou.

BRB

A crise do Banco de Brasília (BRB) e a destinação de recursos públicos também estiveram entre os principais alvos das críticas de Grass. Ao ser questionado sobre as dificuldades financeiras do Distrito Federal e a capacidade de financiar suas propostas, o candidato contestou a falta de recursos como justificativa para os problemas da rede pública de saúde. “O problema nunca foi dinheiro. Tanto que, recentemente, a Celina pegou R$ 120 milhões da saúde e colocou no BRB para deixar o dinheiro rendendo e tentar tapar o rombo”, afirmou.

A declaração faz referência à transferência de R$ 120 milhões, em 21 de setembro, de uma conta do Fundo de Saúde no Banco do Brasil para outra conta do fundo no BRB. Documentos do banco indicam que o valor foi aplicado por um dia em um Certificado de Depósito Bancário (CDB), com rendimento de R$ 57,9 mil. No dia seguinte, a Secretaria de Saúde solicitou a regularização da movimentação.

Grass afirmou que, caso seja eleito, pretende concentrar esforços na redução das filas de consultas, exames e cirurgias. “Eu vou começar meu governo com uma grande obsessão: enfrentar a fila da saúde. Temos filas para consultas, exames, cirurgias e tratamentos. Tem gente esperando há mais de um ano, dois anos, três anos para tratar câncer. Tem gente que morreu sem atendimento”, declarou Grass.

O candidato também prometeu criar um painel público para acompanhar o andamento das filas e aumentar a distribuição de medicamentos de alto custo. A proposta, segundo ele, é dar transparência aos tempos de espera e permitir que a população acompanhe a evolução dos atendimentos.

Fundo Constitucional e transporte

Na discussão sobre educação, Leandro Grass afirmou que o Distrito Federal dispõe de recursos para aumentar a rede de ensino integral e criticou a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão. “Tem recurso. O Fundo Constitucional aumentou nos últimos anos, passando de R$ 16 bilhões, em 2022, para R$ 28 bilhões neste ano. A Celina e o Ibaneis, que são um só governo, tiveram a chance de fazer a melhor educação, a melhor saúde e a melhor segurança. Fizeram pior”, afirmou.

Para o transporte público, o candidato defendeu uma nova licitação para as empresas de ônibus e a implementação gradual da tarifa zero. “Eu começo fazendo uma nova licitação das empresas de ônibus, coisa que a Celina e o Ibaneis já deveriam ter feito, porque os contratos venceram e a lei determina a realização de uma nova licitação”, afirmou.

Além da saúde, da educação e do transporte público, Leandro Grass também apresentou propostas para a segurança pública e a assistência social. O candidato defendeu a contratação de policiais, a instalação de botões de pânico em espaços públicos para aumentar a proteção das mulheres, a expansão dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e dos restaurantes comunitários, além da manutenção de programas sociais do Distrito Federal.


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Editado por: Clivia Mesquita

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