O Marco Fernandes, analista geopolítico, acredita que o Brasil corre o risco de sair do Brics, principal bloco das potências econômicas do Sul Global, caso Flávio Bolsonaro saia vitorioso.
Na avaliação dele, o país pode se manter de maneira formal como integrante do bloco, mas se ausentar de discussões importantes e enviar representantes de baixo prestígio para as reuniões.
“Agora, eu acho que, na verdade, a gente corre o risco de, sim, sair do BRICS dessa vez”, afirma o analista, em entrevista ao Conexão BDF especial eleições, na cobertura do segundo turno presidencial.
O Brics é um bloco econômico que reúne países como Brasil, Rússia, Indía, China, África do Sul e mais 11 países convidados, entre eles o Irã, Egito e Emiradas Árabes Unidos.
Marco Fernandes que mora e atua na Rússia, recorda que o governo do país tem uma leitura menos pessimista sobre uma gestão da família Bolsonaro por levar em consideração o comportamento do governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Mas alerta que o ambiente internacional, a partir de agora, é diferente.
“Os russos, em geral, olham para o governo Bolsonaro e falam: ‘Olha, não teve grandes alterações do ponto de vista das relações econômicas, o Brasil se manteve no BRICS e tal’. Só que eu acho que é uma leitura equivocada, porque ela toma o cenário geopolítico entre 2018 e 20222. É um cenário muito diferente do que nós temos agora. Nós temos justamente um governo Trump com um nível de agressividade imperialista que há muito tempo não se via nos Estados Unidos’.
Nesta eleição, o candidato Flávio Bolsonaro(PL) deu continuidade às ideias contrárias ao Brics. Em diversos momentos, afirmou que pretende reavaliar a permanência do Brasil no bloco, defender a aproximação com os Estados Unidos e questionar a perspectiva econômica do grupo, principalmente as críticas à dolarização da economia.
Em 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que hoje está preso por tentativa de golpe de estado, também passou a atacar o Brics e chegou a classificar o grupo como “uma reuniãozinha de pequenos ditadores”.

