ALIANÇAS PERIGOSAS

‘Crime organizado é a base material da extrema direita no Brasil’, aponta historiador

Professor também analisou que vitória do presidente Lula é um muro de contenção contra a extrema direita no mundo

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro | Crédito: Agência Senado

Durante o programa Conexão BDF, na edição especial do segundo turno, neste domingo (25), o professor e historiador Luís Eduardo Fernandes afirmou que o crime organizado é a base material da extrema direita no Brasil.

A declaração foi feita durante o programa Conexão BDF, na edição especial do segundo turno, neste domingo(25). O professor analisou as eventuais consequências de um novo governo comandado pela família Bolsonaro e citou o histórico de relação do clã com grupos criminosos.

“A gente está vendo aí, com os escândalos que têm relação com a família Bolsonaro, com o Flávio, a capacidade de articulação do bolsonarismo em lavar dinheiro do PCC, das milícias e do Comando Vermelho. E isso tudo embricado também com as Bets”, afirmou o professor.

Ele fez essa retrospectiva para explicar que o plano do candidato Flávio Bolsonaro(PL) de inserir o Brasil no Escudo das Américas, grupo criado pelo presidente Donald Trump com aliados da extrema direita na América Latina com foco na segurança, pode representar uma “cortina de fumaça” para esconder esse vínculos com o crime organizado e favorecer uma investida imperialista dos EUA aqui no Brasil.

“Nessa articulação com os Estados Unidos e abrindo o mercado brasileiro, abrindo mão da soberania brasileira, esses grupos criminosos com muito poder

O professor também apontou que, em caso de vitória do presidente Lula da Silva(PT), o petista terá que mudar a metodologia do governo e fazer um mandato mais alinhado às manifestações de rua. A tese do professor foi elaborada entendendo que os países vizinhos hoje estão governados pela direita e, por isso, faria de um quarto governo Lula um dos poucos mais alinhados à esquerda.

“Nesse sentido, eu vejo que um novo governo Lula é empurrado a ter um governo com mais participação social, mais mobilizações e um espaço menor para conciliações”, analisou.

Apesar de prever um cenário adverso para governos progressistas graças a uma maioria conservadora na América Latina, o professor avalia que este ciclo mais conservador tem vida curta e sofre com a carência de projetos mais sólidos de poder.

“Essa extrema-direita latino-americana, além dela ser muito heterogênea, ela ainda não tem um projeto político, social, econômico, estratégico apontado. Basta a gente olhar que o grau de popularidade deles até então tem despencado cada vez mais. Nesse sentido, eu vejo que uma vitória do Lula é também uma vitória latino-americana, no sentido de estabelecermos um limite, um basta, e estabelecermos o Brasil como uma grande referência da luta democrática no Ocidente”, concluiu.

Editado por: Monyse Ravena

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