Economia

Economista rebate críticas de Flávio Bolsonaro sobre dívida pública: ‘Conotações morais não se aplicam na economia’

Juliane Furno lamentou que presidenciável de extrema direita tenha adotado tal discurso durante a corrida eleitoral

A economista Juliane Furno
A economista Juliane Furno

A economista Juliane Furno rebateu neste domingo (25) as críticas feitas por Flávio Bolsonaro (PL), durante a corrida eleitoral, sobre a gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da dívida pública brasileira.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Furno afirmou que “essa expressão tem uma conotação muito sensível pra gente” e apontou a existência de “uma tendência de confundir o que é divída, endividamento, déficit, com elementos que nos sugerem uma coisa ruim”.

“Essas conotações morais não se aplicam para a economia. A Inglaterra, na Segunda Guerra Mundial, teve que fazer um esforço absurdo para ser um dos países que ajudou a vencer o nazismo. Quando acabou a guerra, a Inglaterra fez ajuste? Não, ela seguiu gastando para reerguer a economia. A dívida é um fenômeno do capitalismo, que se assenta na dívida pública”, explicou Furno.

Outro assunto recorrente na corrida eleitoral foram as comparações feitas, em ambas as campanhas, sobre a economia argentina e a brasileira. Segundo a economista, os modelos não podem ser equiparados, pois possuem características próprias.

“As pessoas na Argentina optaram pelo Milei porque existia uma situação catastrófica, principalmente pela dificuldade da Argentina, que desaguava na inflação, é que era um país que dependia do capital internacional e sem reservas, por isso sofria com a desvalorização da moeda. Essas duas condições são distintas no Brasil, temos uma inflação bastante baixa, inclusive. Temos uma quantidade expressiva de reservas internacionais. Nenhum dos motivos que levaram a Argentina a um choque justificam um ajuste aqui”, sentenciou.

Por fim, a economista falou sobre um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Furno, o mandatário deve manter a dinâmica de transferência de renda para os trabalhadores para fomentar a economia.

“Se houver um próximo mandato, eu acho que devíamos seguir o padrão de distribuição de renda, via valorização do salário mínimo, que tem impacto muito importante sobre os salário de todos os trabalhadores e o fortalecimento de políticas sociais redistributivas”, encerrou.

Acompanhe a transmissão:

Editado por: Geisa Marques

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