O segundo turno das eleições presidenciais terminou neste domingo (25) em meio a denúncias de falta de ônibus em diversas cidades e a uma decisão judicial tomada já depois do horário oficial de encerramento. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou a votação até as 19h em todas as seções do país, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a totalização dos votos com 0,25% das urnas apuradas. A decisão foi tomada em caráter de urgência, pouco depois das 17h.
Na sequência, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou aos tribunais regionais eleitorais (TREs) um ofício, assinado às 17h49, orientando que apenas as seções ainda abertas funcionassem até as 19h. Zanin confirmou a orientação: a prorrogação vale só onde as urnas não foram fechadas, e os votos das seções já encerradas serão contabilizados normalmente.
Para Jessy Dayane, membro da coordenação nacional do Levante Popular da Juventude, a lisura e a organização do processo eleitoral de 2026 ficaram comprometidas neste domingo. Ela fez um forte desabafo sobre os relatos de eleitores que enfrentaram barreiras para exercer o direito ao voto em diversas seções eleitorais pelo país. De acordo com a dirigente, a lentidão nas tomadas de decisões judiciais agravou a situação, gerando confusão e prejuízos no pleito.
“Estou recebendo muitos relatos de pessoal nas escolas em que mesários têm dúvida sobre essa decisão, em que juízes locais contestam essa decisão, locais em que as urnas fecharam e já não tem mais como votar na urna eletrônica. Isso certamente cria um caos”, afirmou.
Jessy apontou que os problemas com o transporte público não foram episódios isolados, mas ocorreram sucessivamente durante todo o período de votação. Para ela, o cenário resultou em uma grave violação dos direitos civis do eleitorado.
“Isso foi denunciado o dia inteiro. Foi ao longo do dia inteiro as pessoas sendo impedidas de votar. É um ataque muito duro à democracia. Não importa em quem as pessoas estão votando, o que importa é que o ataque feito hoje impede o cidadão e a cidadã de exercer seu direito”, declarou.
Denúncias desde a manhã
Em São Paulo, a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) acionou a Justiça Eleitoral e pediu a prisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) por descumprir a ordem de manter 100% da frota de ônibus em circulação no segundo turno. Segundo a petição, cerca de 29% dos ônibus continuavam nas garagens neste domingo. A SPTrans diz respeitar a determinação, mas alega que foi notificada às 13h10 de sábado (24), menos de 12 horas antes do início da operação. O PT de São Paulo afirma que só 60% da frota estava em operação.
Em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) mandou prender o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, depois de constatar que menos de 50% da frota prevista circulava pela cidade.
Ainda durante a tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a falta de ônibus como “banditismo” e reforçou o pedido do PT para estender a votação até as 19h. O partido argumentou que a redução da frota prejudica principalmente eleitores de baixa renda, que dependem do transporte público para votar. Nunes Marques respondeu que precisava avaliar a dimensão do impacto em Salvador e afirmou que as dificuldades no transporte já estavam sendo corrigidas.
Segundo Zanin, as informações sobre os problemas chegaram ao STF às 16h32, menos de meia hora antes do encerramento previsto para as 17h. Às 17h01, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, enviou parecer contrário à extensão do horário. A coligação de Lula sustentou que as prefeituras descumpriram um entendimento vinculante do STF sobre a oferta de transporte público nas eleições, firmado na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.013. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) também havia pedido a prorrogação em cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul atingidas por fortes chuvas.
‘Era possível evitar’
A coordenadora do movimento social defendeu que instâncias superiores da Justiça Eleitoral deveriam ter intervindo de forma mais célere para evitar o desfecho negativo nas urnas. Na avaliação de Jessy, uma orientação antecipada teria permitido instruir adequadamente tanto as equipes de apoio nas seções quanto os próprios eleitores.
“O correto seria ter uma decisão judicial mais cedo, para que aí sim a gente tivesse tempo de informar a população”, pontuou. “O que eu estou mais indignada é que as denúncias foram ao longo do dia inteiro. Era possível evitar esse caos e garantir a votação do povo brasileiro em 2026”, concluiu a liderança.
Como acompanhar
Os resultados oficiais podem ser acompanhados em tempo real pelo site Resultados, do TSE, e pelo aplicativo Resultados, disponível gratuitamente para celulares. As duas plataformas mostram o andamento da totalização para presidente e para os governos estaduais em disputa no segundo turno, com dados por estado e por município.
O Brasil de Fato acompanha a apuração ao vivo na live de votação e apuração, no YouTube e na Rádio Brasil de Fato (98.9 FM), com análises no estúdio e entradas de correspondentes nos estados.
Antes da prorrogação, a previsão do TSE era de que o resultado da eleição presidencial fosse conhecido entre 20h30 e 21h. Com o atraso de duas horas no início da totalização, a definição deve

