As pesquisas de intenção de voto nas eleições presidenciais deste ano mostraram, desde o primeiro momento, a cristalização da polarização e a pouca mobilidade entre os dois candidatos preferidos. Se alternando entre primeiro e segundo lugar, com pouca margem de distância, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou no primeiro turno como favorito, mas acabou ficando atrás de Flávio Bolsonaro (PL) quando as urnas se fecharam.
No segundo turno, com pequenas variações, Flávio manteve pequena vantagem, mas os candidatos ficaram em empate técnico a maior parte do tempo. Lula, contudo, levou a melhor neste domingo e garantiu a reeleição com uma diferença de 4,4 milhões de votos.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Daniela Costanzo, pesquisadora do Cebrap, avalia que, considerando a margem de erro, os candidatos, de fato, chegaram ao segundo turno em condição de empate. “As variações são aleatórias, na verdade, porque está tudo dentro da margem de erro. A gente teria sempre que considerar essa análise intervalar”, explica.
Para ela, o que pesou bastante como uma evidência de recuperação da campanha de Lula foi a queda de reprovação. “Houve aumento da aprovação do Lula. E esse dado passou bastante a margem de erro em determinado momento. No Datafolha, chegou a ter uma diferença de seis pontos. Então, isso mostrou o resultado do que a gente estava vendo nas ruas e nas redes”, afirma.
Costanzo também destaca a queda de abstenções e a redução de nulos e brancos, muito provavelmente fruto das mobilizações por Lula e em defesa da democracia. “A eleição estava muito apertada. O que fez diferença foi a mobilização, mas era algo muito difícil de ser pego numa pesquisa”, pontua.
Daniela Costanzo considera que o comportamento do eleitor nessas eleições pode sinalizar a necessidade de mudanças nas pesquisas, como por exemplo, a inclusão de alguns marcadores que foram definidores no segundo turno. “Houve diminuição da abstenção. Mulheres acima de 60 anos, provavelmente elas foram votar mais nessa eleição do segundo turno de 2026 do que elas costumavam ir antes. Então, provavelmente isso será incorporado no nas próximas pesquisas, nos próximos modelos. Qual que é a dificuldade disso? A maioria fala que vai votar e aí chega na hora as pessoas não vão. Então é muito difícil de prever”, explica.
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