DE VIRADA

‘Esse mandato deve ser o mais importante de Lula’, afirma cientista político Paulo Nicolli Ramirez

Paulo Nicolli Ramirez aponta importância da mobilização da sociedade civil na reta final da campanha

Lula conseguiu cerca de 10 milhões de votos entre o 1º e o 2º turno
Lula conseguiu cerca de 10 milhões de votos entre o 1º e o 2º turno | Crédito: Tércio Teixeira/AFP

Eleito para o quarto mandato como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez história no domingo (25). Do primeiro para o segundo turno, o candidato do PT conseguiu cerca de 10 milhões de votos a mais, ante cerca de 3 milhões conquistados pelo seu concorrente, Flávio Bolsonaro (PL).

Para o cientista político Paulo Nicolli Ramirez, a vitória foi fruto direto da mobilização da sociedade civil nas ruas e nas redes. “Foi uma vitória da democracia. Foi o movimento mais bonito que tivemos nas ruas a favor da democracia desde as Diretas Já”, afirma.

“Esse mandato deve ser o mais importante do Lula; ele deve fazer reformas sociais mais profundas, começando pela reforma agrária. O fim de Lula será, ao mesmo tempo, a origem de outro país”, completa o cientista político.

Ele também destaca que a vitória do presidente “salvou o STF de ter mais quatro pessoas como Kassio Nunes Marques e André Mendonça”. No entanto, o Congresso será um obstáculo para o governo Lula 4: “A configuração de Congresso que ele vai ter no próximo ano é pior do que a da Dilma quando houve o impeachment. Porém, o apoio que Lula e o petismo têm hoje da sociedade civil é infinitamente maior do que aquele que a Dilma tinha”.

Ramirez afirma ainda que “agora é hora de pressionar esses congressistas acéfalos, como Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira. A próxima batalha algorítmica é derrubar um por um, sem usar violência. No sentido de desmoralizar e desnudar o que são essas pessoas. Não basta tirar a possibilidade de um novo Bolsonaro chegar ao poder, é preciso retirar do Congresso figuras que não têm outra função do que degenerar a própria democracia”. 

No cenário internacional, a vitória de Lula também mexe no tabuleiro geopolítico, marcado pelo capitalismo imperialista em crise, a ascensão da China e a onda de protestos na Europa. “O Brasil se impõe, com a possibilidade, inclusive, de mudar a geopolítica na nossa região, na América do Sul, com a possibilidade, daqui a alguns anos, de influenciar os processos eleitorais nos nossos vizinhos”, comenta Ramirez.
 

Editado por: Rafaella Coury

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