O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito após virada histórica sobre Flávio Bolsonaro (PL) e iniciará seu quarto mandato em 1º de janeiro de 2027.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Larissa Peixoto, pesquisadora na Universidade de Edimburgo, considera que a organização e mobilização popular foram a chave para a virada no segundo turno. “Nunca antes na história deste país, como diz Lula, a gente viu uma mobilização tão bem feita e com um resultado tão claro e impactante. Houve uma conexão muito forte das ruas com a internet”, avalia.
Na avaliação de Peixoto, a importância das plataformas digitais como fator de desequilíbrio nas eleições e a forma com que a reação da esquerda foi organizada e surtiu efeito, coloca na agenda de prioridades do quarto mandato de Lula a questão da regulamentação das big techs. “Eu acho que a regulamentação das big techs e da inteligência artificial, barrar a criação de data centers estrangeiros no Brasil, regulamentação dos oligopólios de mídia. Uma das coisas impactantes foi o quanto as pessoas criaram a partir da tecnologia nesse curto espaço de tempo, como, por exemplo, sites com dados abertos de muita qualidade”, aponta.
A cientista política também considera que esse novo mandato de Lula precisa se dedicar a uma reforma educacional, incluindo a história da África, por exemplo, e formação política. “Muitas coisas de história do Brasil não são ensinadas. Muita gente mostra que não sabe o que é um senador, como funciona a criação de leis e de PECs, e isso tudo teria que ter sido ensinado na educação básica. A gente tem que aprender que o sufrágio feminino não foi dado às mulheres, que foi por esforço. Tudo que temos hoje foi ganho com esforço e luta, e a gente não pode deixar desaparecer”, observa.
Peixoto também comenta as denúncias de retirada de ônibus em algumas cidades, como São Paulo e Salvador, durante o segundo turno, que dificultou o deslocamento do eleitorado. “O Estado tem que garantir que as pessoas tenham acesso à urna. Ontem, o Estado deixou a peteca cair. O Estado não cumpriu a sua tarefa”, critica.
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