Horror

Reta final da eleição de 2026 é marcada por violência bolsonarista em várias cidades

Assassinatos e agressões foram registrados em vários locais, antes e depois do segundo turno

Casal foi atacado por bolsonaristas enquanto passava próximo a ato pró-Flávio
Casal foi atacado por bolsonaristas enquanto passava próximo a ato pró-Flávio | Crédito: Luís Pedruco

A reta final das eleições de 2026, que terminou com a vitória e reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi marcada por vários episódios de violência política, principalmente praticada por bolsonaristas eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL). Pelo menos quatro assassinatos foram registrados, além de agressões físicas e ataques contra veículos.

Na noite de domingo (25), Balneário Camboriú foi palco de agressões e xenofobia contra apoiadores do presidente Lula, que comemoravam a vitória e reeleição do petista. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um homem de camisa vermelha caído no chão e sendo agredido dentro de um restaurante fast food por homens vestidos de amarelo e com camisetas do candidato Flávio Bolsonaro.

Em outra cena, pessoas com camisas amarelas escrito “Bolsonaro 22” xingam os apoiadores de Lula com ofensas xenófobas. “Nordestino, vai embora lazarento”, “vagabundo, volta pro Nordeste”, são algumas das ofensas proferidas.

Na capital paulista, uma mulher foi esfaqueada no Terminal Rodoviário do Tietê após um ataque com suposta motivação política e homofóbica. Testemunhas relataram que o agressor se aproximou de um casal de mulheres lésbicas, proferindo o nome e o número do candidato do PL à Presidência da República. A mulher atacada pediu que ele se afastasse. Ele então sacou uma faca e a atacou, atingindo-a na mão.

Na cidade de Santos, no litoral paulista, o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, teve a morte encefálica confirmada pela família no domingo, um dia após ser vítima de uma agressão. Ele participava de uma apresentação musical em apoio à reeleição do presidente Lula quando se afastou dos amigos e foi encontrado desacordado, com sinais de espancamento.

Armas de fogo

Em Bonito (MS), Ewerton Rodrigues da Silva, de 34 anos, foi morto a tiros na noite de sábado (24), em um posto de gasolina, após uma carreata política de apoio a Flávio Bolsonaro. Outro homem, de 30 anos, também foi baleado na ação. O suspeito do crime é um adolescente de 16 anos, que fugiu com a ajuda do pai, de 47 anos. As identidades do rapaz ferido, do adolescente e do pai não foram divulgadas.

Segundo o boletim de ocorrência, o homem de 30 anos estacionava uma caminhonete perto dos bolsonaristas quando foi abordado pelo pai do adolescente, que passou a agredi-lo.

Testemunhas relataram à polícia que amigos do motorista, incluindo Ewerton, reagiram. Ao ver a cena, o jovem buscou um revólver em uma caminhonete, voltou ao local e atirou contra o grupo, atingindo Ewerton e o outro rapaz.

Na cidade de Corumbá (MS), um homem de 50 anos foi baleado por volta das 20h de sábado, na Avenida Gaturama, no bairro Maria Leite. O disparo atingiu a região do tórax, segundo o Corpo de Bombeiros. Ele foi socorrido e encaminhado ao Pronto-Socorro Municipal.

Ainda segundo o Corpo de Bombeiros, a esposa da vítima afirmou que o disparo teria sido feito por um homem que estava em uma caminhonete, integrante de uma caravana política bolsonarista que passava pelo local.

Também no sábado, Anderson Pires Bolandin, de 35 anos, e Sebastião Dusso Braga Neto, de 34, foram assassinados a tiros em um posto de combustível em Porto Esperidião, no Mato Grosso. Outros dois homens ficaram feridos. Uma das vítimas relatou à Polícia Militar que o tiroteio teve início em uma discussão por divergência política.

Em Montes Claros (MG), a vereadora do PT Iara Pimentel ficou gravemente ferida após sofrer um ataque de bolsonaristas na noite de sábado, quando participava de uma carreata em apoio à reeleição do presidente Lula.

Imagens nas redes sociais mostram um grupo vestido com camisas amarelas cercando o carro onde estavam apoiadores do presidente Lula e atirando objetos como pedras e garrafas. A vereadora foi atingida em cheio na cabeça por um tijolo arremessado pelo grupo e caiu desmaiada.

Apesar da gravidade da agressão, ela se recuperou bem, teve alta e foi votar no domingo.

Nas últimas semanas também houve registro da destruição do carro de uma apoiadora do PT em Curitiba, em meio a uma manifestação de bolsonaristas, e agressões contra jovens na Avenida Paulista, durante o Bloquinho 22, no dia 18.

Editado por: Rodrigo Gomes

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