Repercussão

Vitória de Lula provoca comemoração e contestação entre políticos do Distrito Federal

Enquanto aliados destacam a mobilização e a defesa da democracia, integrantes do PL questionam o processo eleitoral

Lula (PT) foi reeleito presidente neste domingo (25), com 64,2 milhões de votos (51,79%), conquistando seu quarto mandato
Lula (PT) foi reeleito presidente neste domingo (25), com 64,2 milhões de votos (51,79%), conquistando seu quarto mandato | Crédito: Ricardo Stuckert

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) provocou reações diferentes entre parlamentares e lideranças políticas do Distrito Federal. Enquanto aliados comemoraram a vitória e defenderam a continuidade da mobilização popular, integrantes do campo bolsonarista questionaram o resultado e levantaram suspeitas infundadas sobre o processo eleitoral.

Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do senador. O resultado marcou uma virada inédita na disputa presidencial brasileira: pela primeira vez, o candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conquistou a Presidência na etapa seguinte.

Entre as manifestações publicadas nas redes sociais, deputados distritais e federais do campo progressista relacionaram a vitória de Lula à participação popular e à democracia. Já parlamentares do PL questionaram a prorrogação do horário de votação. Até o fechamento dessa matéria, a senadora Damares Alves (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL) não se pronunciaram publicamente sobre o resultado.

Aliados

O deputado distrital Gabriel Magno (PT) atribuiu a vitória à atuação da militância e de diferentes setores da sociedade. Em publicação nas redes sociais, ele destacou a participação de trabalhadores, estudantes, mulheres, pessoas negras e da população LGBT+ na campanha.

“Ganhamos nas ruas, na mobilização, nas redes e nas urnas. Essa vitória é da militância, dos trabalhadores e trabalhadoras, dos estudantes, das mulheres, do povo negro e da população LGBT+. É de quem enfrentou o ódio e não desistiu do Brasil”, escreveu o deputado.

O deputado também defendeu a continuidade da mobilização política e cobrou responsabilização por crimes. “Tentaram de tudo. Tentaram o golpe, tentaram impedir que o povo brasileiro fosse votar, fosse para as urnas. Nós ganhamos na rua, ganhamos na mobilização, ganhamos na rede, ganhamos na urna”, declarou.

O deputado distrital Ricardo Vale (PT) também comemorou o resultado em vídeo publicado nas redes sociais. “Derrotamos a extrema direita. Nós derrotamos o fascismo. Nós derrotamos a burguesia. Nós derrotamos o miliciano marginal do Bolsonaro. Derrotamos o miliciano marginal. Vencemos os bandidos”, afirmou Ricardo.

Já o deputado distrital Chico Vigilante (PT) celebrou a vitória ao lado da família e destacou a atuação de apoiadores durante a campanha. “Essa vitória é do povo brasileiro! De cada companheira e companheiro que foi às ruas, levantou a bandeira e não desistiu. Seguimos juntos, com Lula presidente e muita disposição para defender os trabalhadores e cuidar do Brasil!”, escreveu.

A deputada federal Erika Kokay (PT) também atribuiu o resultado à mobilização popular e criticou o que chamou de boicotes e mentiras durante a campanha. Ela mencionou as dificuldades de transporte enfrentadas por eleitores e relacionou a vitória à defesa da soberania nacional.

“Apesar de todos os boicotes, apesar de todas as mentiras, apesar de tudo, apesar de eles terem confiscado o transporte para que os eleitores de São Paulo e outros cantos não pudessem votar. Apesar de tudo isso, o povo brasileiro cravou 13 e disse que é Lula de novo”, declarou em vídeo nas redes sociais.

Em outro momento, Kokay afirmou que o resultado teria repercussão para além do Brasil. “Esta é uma derrota do fascismo aqui no Brasil, mas também nos Estados Unidos. E a gente diz: ‘Leva essa, Trump, porque o Brasil é dos brasileiros e das brasileiras e não vai abrir mão nem da soberania, nem da democracia, nem dos direitos’”, disse a deputada.

Erika Kokay (PT-DF)
Deputada federal Erika Kokay (PT-DF) foi candidata ao Senado nas eleições de 2026 | Crédito: Kaire Vinicius/Asaaraui

Democracia e soberania nacional

O ex-governador do Distrito Federal e deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB) destacou a participação de estudantes e jovens na campanha e afirmou que a defesa da democracia deve continuar após o resultado eleitoral.

“Esse é um momento histórico. É um momento de vitória da democracia, mas a democracia continua em risco. Nós vamos precisar estar mobilizados para defendê-la e para fortalecê-la. E, ao mesmo tempo, também será muito importante defender a soberania nacional”, declarou o deputado.

A senadora Leila do Vôlei (PDT), que está em recesso parlamentar, também reconheceu a vitória de Lula e destacou o respeito às regras eleitorais. “O Brasil escolheu a democracia. Lula está reeleito presidente. Uma vitória de virada, conquistada voto a voto. Essa vitória é do povo brasileiro. De quem foi às urnas, respeitou as regras e confiou no voto”, escreveu nas redes sociais.

O deputado distrital e recém-eleito deputado federal Fábio Felix (Psol) classificou o resultado como uma virada histórica e ressaltou que Lula havia terminado o primeiro turno atrás do adversário. “Uma virada histórica! Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar consegue virar a eleição e conquistar a Presidência da República. O povo brasileiro fez história nas urnas!”, escreveu.

Max Maciel (Psol), também comemorou a vitória, mas defendeu que os apoiadores continuem mobilizados para acompanhar a atuação do Congresso Nacional e impedir retrocessos em direitos sociais. “Vamos comemorar, mas nós não vamos sair das ruas. Nós vamos seguir transformando esse Brasil. É chamando geral, é geral! É Luiz Inácio Lula da Silva reeleito presidente do Brasil. Bora que amanhã a gente não para” , afirmou em vídeo.

“Vamos seguir mobilizados, vamos seguir ativos permanentemente aqui, de olho para a gente não deixar o Congresso acabar com as nossas conquistas”, acrescentou Max.

O ex-candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) também comemorou a reeleição de Lula nas redes sociais. Na publicação, ele parabenizou o presidente e destacou o enfrentamento ao fascismo durante a campanha. “O maior líder da história desse país venceu de novo! Vencemos contra as projeções, contra o algoritmo, contra o fascismo, vencemos! Obrigado por acreditar nesse país, presidente. Foi e sempre será uma honra lutar ao seu lado! É tetra!”, escreveu o ex-candidato ao GDF.

Leandro Grass disputou governo do DF contra Celina Leão. Foto: Camila Araujo

A deputada distrital e ex-candidata ao governo do DF Paula Belmonte (PSDB), que apoiou Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, publicou uma mensagem defendendo o respeito ao resultado das urnas e a fiscalização dos eleitos. “A vontade expressa nas urnas deve ser respeitada. É assim que fortalecemos a democracia e as nossas instituições. Desejo êxito aos eleitos, sempre com a expectativa de que o interesse da população esteja acima das disputas políticas”, publicou.

PL questiona votação

Entre os parlamentares que contestaram o resultado, o deputado federal Alberto Fraga (PL) afirmou que a eleição teria sido marcada por irregularidades. Em vídeo, ele questiona a decisão. “O golpe, no meu entender, foi muito bem armado. A vocês, petistas, parabéns. Vocês sabem realmente fazer o jogo sujo. As urnas agora, como nunca, estão sendo mais do que duvidosas e caem na desconfiança total do brasileiro”, declarou.

Fraga também afirmou que pretende acompanhar a atuação do governo eleito e defendeu que a oposição considere um pedido de impeachment. “Na primeira pedalada que esse descondenado [Lula] fizer, nós temos que pedir o impeachment dele. É isso que tem que ser feito”, afirmou.

A deputada federal Bia Kicis (PL) compartilhou um vídeo em que o senador Flávio Bolsonaro questiona o resultado eleitoral e critica a prorrogação do horário de votação. Na publicação, Kicis escreveu “Ao seu lado”, em apoio à manifestação do senador.

Flávio classificou o episódio como “inaceitável”, alegou quebra de isonomia e questionou quantos votos poderia ter obtido. Na declaração compartilhada, afirmou ser impossível reconhecer o resultado e defendeu a anulação da eleição. A prorrogação ocorreu por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que determinou a extensão do horário até as 19h em todo o país. A medida foi motivada por dificuldades de deslocamento de eleitores, incluindo problemas no transporte público e condições climáticas, e atendeu a pedidos das duas campanhas presidenciais. 


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Editado por: Clivia Mesquita

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