O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), lançou suspeitas sobre a eleição presidencial sem apresentar elementos que sustentem os questionamentos e não reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em publicação no X nesta segunda-feira (26). Aliado do bolsonarismo, Zucco acompanhou a apuração em Brasília ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), que anunciou, sem provas, a intenção de pedir a anulação do segundo turno.
“Mais uma eleição presidencial com interferências abusivas, dados contraditórios e questionamentos que precisam ser devidamente esclarecidos”, escreveu Zucco. Na postagem, o governador eleito não identificou quais seriam as interferências ou os dados mencionados. Também afirmou que acompanhará “os desdobramentos e as medidas que venham a ser adotadas”.
A manifestação acompanha os questionamentos de lideranças da extrema direita ao resultado, apesar de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, ter afirmado, após a totalização, que tem “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”. Lula foi reeleito neste domingo (25), conquistando o quarto mandato presidencial.
Sem mencionar o nome do presidente reeleito, Zucco declarou estar preparado para trabalhar “diante de qualquer presidente da República”. “Tenho posições políticas claras e não abro mão delas. Mas fui eleito governador para trabalhar pelo Rio Grande do Sul”, afirmou.
Bancada do PT cobra respeito ao resultado
Em resposta, a bancada do PT na Assembleia Legislativa classificou a manifestação como “inaceitável e altamente preocupante”. A nota é assinada pelo deputado estadual Miguel Rossetto (PT), líder da bancada.
“O governador eleito Zucco deve decidir se está ao lado da democracia ou se seguirá aliado ao golpismo bolsonarista”, afirmou Rossetto.
O parlamentar também apontou a contradição de questionar a prorrogação da votação, medida solicitada pela própria campanha de Flávio. Embora Zucco não tenha mencionado expressamente a extensão do horário, Rossetto relacionou a manifestação do governador eleito à contestação do candidato derrotado.
“É patético e desonesto questionar o resultado por conta do atendimento de sua própria solicitação”, criticou o deputado. A nota encerra com uma resposta à formulação usada por Zucco: “O Rio Grande do Sul é maior que qualquer governo. O povo gaúcho pode contar com o PT e com o presidente Lula”.
Já o atual governador, Eduardo Leite (PSD), reconheceu o resultado em publicação no X. “Cumprimento o presidente Lula pela vitória e desejo êxito na missão de conduzir o Brasil nos próximos quatro anos”, escreveu.
Leite também pediu respeito à decisão do eleitorado. “Aos que estão frustrados com o resultado, que possam compreendê-lo com serenidade e respeito à vontade expressa nas urnas”, afirmou. Na mesma manifestação, defendeu que o novo governo reconheça a divisão do país e governe para todos.
Contestação sem sustentação jurídica
A ofensiva de Flávio contra o resultado se concentra na prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em locais afetados por temporais e problemas no transporte público. Conforme análise publicada pelo Brasil de Fato, o pedido de anulação não tem sustentação jurídica e não deve prosperar, segundo especialistas.
A advogada Tainã Góis, doutora em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), destaca que ambas as campanhas pediram a ampliação do horário: a de Lula em todo o país e a de Flávio, inicialmente, em municípios específicos. “Quem pediu mais tempo de votação onde lhe interessava dificilmente pode sustentar, depois da derrota, que mais tempo de votação corrompeu o resultado”, avaliou.
Além disso, os 35.521 votos registrados entre 17h e 19h, segundo dados do TSE citados na reportagem, não alterariam o vencedor mesmo que fossem todos destinados a Flávio. A vantagem de Lula foi de mais de 4,4 milhões de votos. Nunes Marques também afirmou que a prorrogação pontual não causou distorções expressivas no resultado final.
Entre os integrantes do PL que levantaram dúvidas está também o governador eleito do Paraná, Sergio Moro. Ele escreveu que o resultado “não foi o que esperávamos” e que há “questionamentos da oposição que precisam ser esclarecidos”.
Zucco foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno, em 4 de outubro, com 58,05% dos votos válidos, ao lado da vice-governadora eleita Silvana Covatti (PP). Durante a disputa presidencial, apoiou Flávio Bolsonaro.

