Essa vitória é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que fez história ao conquistar nas urnas seu quarto mandato presidencial e protagonizar uma virada inédita na disputa pelo Palácio do Planalto. Mas essa também é uma vitória da democracia e do povo brasileiro, que, no dia 25 de outubro de 2026, escolheu o amor em vez do ódio, a esperança em vez do medo, a memória em vez do esquecimento e a democracia em vez do fascismo.
Essa vitória é da classe trabalhadora, que, com a aprovação da PEC pelo fim da escala 6×1 pelo governo Lula, reafirmou que não quer mais ser reduzida àquilo que produz. Quer ter direito ao descanso, ao convívio com a família, ao estudo, ao lazer e, acima de tudo, a viver com dignidade. Enquanto a deficiência física do presidente era ridicularizada publicamente por um adversário que desconhece o cheiro de quem trabalha, foram os “nove dedos” das mãos de um trabalhador que devolveram a esperança a milhões de brasileiros e brasileiras.
Essa vitória é da juventude, que, desde o dia seguinte ao primeiro turno, ocupou as ruas e não nos deixou desacreditar. Foram milhares de jovens que nos deram a força necessária para seguir em frente quando tudo parecia conspirar contra nós. Se, em 1992, o movimento dos Caras-Pintadas levou estudantes às ruas para exigir o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 2026 vimos uma nova geração assumir seu protagonismo político e mostrar que não aceita ter seu futuro decidido por aqueles que querem lhe tirar direitos e oportunidades.
Essa vitória é das mulheres. É por Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, de apenas 5 anos, assassinada por um policial militar que Flávio Bolsonaro ajudou a defender. É por todas as mulheres que, nos últimos meses, precisaram ir às ruas para defender o direito à vida, ao voto, à liberdade e ao próprio corpo. É pelas mães, pelas avós, pelas filhas e por todas as mulheres que vieram antes de nós, pelas que seguem na luta e pelas que ainda virão. É também por aquelas cujas vidas foram interrompidas pela violência e que não podem ser esquecidas.
Essa vitória é dos idosos, inclusive daqueles que já não eram obrigados por lei a votar, mas escolheram comparecer às urnas por reconhecerem os riscos que o outro lado representava para o país. Poucas cenas me emocionaram tanto quanto a de pessoas com dificuldades de locomoção e doenças graves sendo amparadas por seus filhos e netos para exercer o direito ao voto. Gestos como esses nos lembram que a democracia não se sustenta apenas nas instituições, mas também na coragem e no compromisso de quem luta para defendê-la.
Essa vitória é da comunicação popular. Nas últimas três semanas, vimos a maior mobilização digital da história do país, com o deputado federal André Janones (Rede) reunindo mais de 10 milhões de pessoas em um canal no WhatsApp em defesa da reeleição de Lula. Foi uma demonstração da força da comunicação popular diante de uma disputa desigual, em que as grandes empresas de tecnologia, como a Meta, concentram o poder de decidir o que circula nas redes e quem consegue ser ouvido.
Essa vitória é da soberania alimentar e de quem luta para que nenhum brasileiro passe fome. Carolina Maria de Jesus nos ensinou que o Brasil precisa ser governado por quem conhece a fome e sabe o valor de um prato de comida. Lula entrou para a história ao retirar o país do Mapa da Fome duas vezes. Agora, nossa tarefa é avançar ainda mais: garantir não apenas comida na mesa de todas as famílias, mas também alimentos saudáveis e de qualidade.
Essa vitória é, acima de tudo, uma vitória pelo futuro do nosso país. Como disse o próprio Lula: “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera”. Derrotamos o fascismo pela força da democracia. E a primavera chegou para quem nunca deixou de lutar por ela!
*Marina do MST é deputada estadual pelo PT no Rio de Janeiro.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

