Membros do Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmaram à AFP que o governo Donald Trump concederá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família. O ex-senador fugiu do país após uma determinação do Supremo Tribunal Federal para que ele entregasse seus passaportes às autoridades.
Detalhes da fuga ainda não estão claros, mas diferentes veículos apontaram que Flávio teria ido para a Argentina e, de lá, partido de voo particular rumo aos Estados Unidos.
Membros do PL, partido de Bolsonaro, reuniram-se na tarde desta terça-feira (27) para tratar do tema. O senador Rogério Marinho (PL-RN) conversou com jornalistas antes do encontro e disse que os aliados desconheciam o plano de fuga. Ele insinuou ainda que Flávio estaria sendo vítima de perseguição.
“Nós, evidentemente, não fomos informados, mas até compreendo caso o senador Flávio tenha saído do Brasil com sua família”, disse Marinho. “Numa democracia é muito estranho que um candidato a presidente da República, após a proclamação do resultado, seja objeto de uma medida cautelar em um inquérito”, seguiu. “Me parece a preparação de uma coisa mais persecutória.”
A medida cautelar mencionada determinava que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O ex-senador é alvo de diferentes inquéritos por crimes como corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, em diferentes processos.
A determinação ocorreu no contexto de uma ação judicial contra o advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio e também foragido no exterior. A investigação aponta que Flávio e Willer compartilhavam como sócios uma conta em um paraíso fiscal. Ambos possuem diversos registros de viagens e momentos de confraternização juntos. Willer está citado como figura central no escândalo dos descontos indevidos do INSS.
Na decisão que determinou a apreensão do passaporte, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, recordou que o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, está foragido da Justiça nos Estados Unidos. Ele foi condenado por suas tentativas de interferir no processo judicial que culminou com a prisão de Jair Bolsonaro. Eduardo havia sugerido publicamente que Flávio também deveria deixar o país caso perdesse as eleições.

