Extrema direita

Deputada bolsonarista é investigada pelo MPT ao sugerir demissão de funcionários que apoiam Lula no Rio

Ação civil pública pede que Índia Armelau seja condenada a pagar R$ 500 mil por dano moral coletivo

Índia Armelau (PL)
Índia Armelau (PL) é uma das principais parlamentares bolsonaristas da Alerj | Crédito: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma investigação após a deputada mais votada do Rio de Janeiro, Índia Armelau (PL), sugerir nas redes sociais a demissão de funcionários que apoiaram o presidente Lula (PT). A bolsonarista incentivou que empresários investiguem manifestações políticas de trabalhadores.

A informação foi divulgada pelo portal g1 e confirmada pelo Brasil de Fato nesta terça-feira (27). O MPT vai apurar se a deputada cometeu “eventual prática de conduta que incentive a realização de dispensa discriminatória por empregadores”.

Após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no domingo (25), a parlamentar escreveu: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, concluiu.

Segundo o MPT, “a mensagem estimula o assédio eleitoral e a discriminação por convicção política”. A ação civil pública pede que a Justiça do Trabalho determine que a deputada publique, em até 24 horas, um comunicado informando que empregados podem escolher livremente seus candidatos e que empregadores não podem retaliar ninguém por causa do voto.

Em caso de descumprimento, o MPT pede multa de R$ 100 mil. O órgão também pede que a deputada seja condenada a pagar R$ 500 mil por dano moral coletivo.

A deputada publicou um vídeo afirmando que suas postagens eram em apoio à campanha “Não contrate quem odeia empresário” e que a investigação do MPT seria contra sua “liberdade de expressão”. Ela diz no mesmo vídeo ser a favor da divisão do Brasil entre apoiadores do PT e conservadores.

Para justificar a proposta, a deputada, que nasceu em Manaus (AM), fez declarações depreciativas sobre o Nordeste.  “Eu já falei que tinha que dividir o Brasil em dois lados. Quem gosta do PT vai lá para o Nordeste, onde as dez cidades mais violentas estão, onde as dez cidades mais analfabetas estão, e as dez cidades mais pobres estão. E quem quer o conservadorismo vem pra cá e a gente divide”, disse.

Perseguição

O secretário de Trabalho e Renda do município do Rio, Manoel Vieira, afirmou que a deputada fomenta uma proposta “infeliz e absurda” que configura assédio, e condenou a prática de perseguições políticas no ambiente de trabalho. 

“Fazemos um apelo aos empresários para não se sujeitem a esse tipo de conduta, porque vocês podem acabar se envolvendo em um processo administrativo de conduta ilícita e, eventualmente, até de judicialização”, alertou em vídeo publicado nas redes sociais.

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Ao lado dele estava Cláudio Secchin, Superintendente Regional do Trabalho (SRTE-RJ), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). “É um assunto que pode suscitar denúncia criminal e a gente não pode ter insegurança para fazer esse tipo de abordagem”, disse o auditor fiscal. 

Secchin orientou que o trabalhador que sofrer esse tipo de perseguição pode comunicar o sindicato da própria categoria, o plantão (telefone 158 – Alô Trabalho) ou o site de denúncias do MPT (neste link).

Após a repercussão negativa do caso, a assessoria de imprensa da deputada estadual Índia Armelau divulgou um comunicado no qual afirma que a empresária “sempre conviveu com a diversidade ideológica e defende que as opções políticas dos trabalhadores sejam integralmente respeitadas”.

“O episódio em questão decorre de um equívoco interpretativo: o comentário foi feito a partir de uma replicagem de uma postagem de terceiro de outra rede e não expressa qualquer orientação sobre contratações ou demissões por parte da deputada”, diz o texto.

Por fim, afirmou que deletou o comentário ao perceber que havia sido “mal interpretado” e que a assessoria não foi notificada sobre procedimento instaurado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

Investigada

Índia Armelau foi eleita para o segundo mandato nas eleições de 2026 com 248.504 votos, se tornando um dos principais nomes do bolsonarismo na Assembleia Legislativa (Alerj). Na última eleição municipal, em 2024, foi candidata a vice-prefeita do Rio na chapa de Alexandre Ramagem (PL).

Em 2025, o gabinete de Armelau na Alerj entrou na mira do Ministério Público (MPRJ) por suspeita de rachadinha. A investigação apura se os assessores da deputada eram obrigados a repassar parte dos salários todos os meses. Segundo a denúncia, a entrega era realizada em espécie.

O ex-chefe de gabinete, Leandro Araújo, acusou a deputada de comandar o esquema. Na época, ele contou ao telejornal RJ2, da TV Globo, como ficou sabendo da prática. A deputada negou as acusações e disse que iria tomar as medidas judiciais cabíveis.

“Depois dos primeiros meses [de trabalho] eu comecei a ver o movimento das pessoas que entravam e iam para a sala do lado para entregar para esse rapaz um pacote. […] Teve dias que eu entrei para entregar e eu vi um dinheiro”, disse Araújo. 

Segundo o funcionário, o dinheiro desviado era o auxílio-alimentação que cada um tinha direito a receber como benefício. “O pessoal tinha que sacar o dinheiro. Quem tinha uma alimentação era R$ 1.470, que é o valor do [auxílio] alimentação. Quem tem duas alimentações é R$ 2.940”, contou.

Editado por: Clivia Mesquita

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