Eleições 2026

Dino manda PF investigar financiamento estrangeiro em campanha de Flávio Bolsonaro

Decisão do STF inclui apuração sobre grupo conservador dos EUA, interesse em minérios e atuação da Meta no pleito

Manifestantes usaram faixas, cartazes e bonecos para denunciar a atuação da Meta nas eleições
Manifestantes usaram faixas, cartazes e bonecos para denunciar a atuação da Meta nas eleições | Crédito: Igor Carvalho/Brasil de Fato

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta terça-feira (27), que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para investigar suspeitas de financiamento estrangeiro na campanha eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das Eleições 2026.

A apuração também vai averiguar o suposto uso de plataformas digitais para beneficiar o candidato do PL e o interesse de grupos internacionais em minerais estratégicos e terras raras no Brasil.

A decisão foi proferida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1178 após pedidos apresentados pela campanha de Lula e pelo candidato derrotado no primeiro turno, Renan Santos (Missão).

A investigação se concentrará em tratativas envolvendo a Rockbridge Network, organização conservadora dos Estados Unidos fundada com a participação do vice-presidente do país, J.D. Vance.

A PF identificará se a entidade ofereceu recursos financeiros, prestação de serviços ou vantagens econômicas à candidatura bolsonarista por meio da intermediação de empresários brasileiros.

Na decisão, Dino destacou que a legislação e a Constituição proíbem expressamente que partidos políticos e campanhas recebam recursos de entidades ou governos estrangeiros. O ministro ressaltou que o cenário aponta para a “intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral” e afirmou que a Justiça tem o dever de proteger a soberania nacional e a integridade da democracia contra interferências externas.

Meta contra

Outro eixo da investigação abrange a atuação da multinacional Meta, proprietária do WhatsApp, Instagram e Facebook. O inquérito apurará “assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas” direcionadas a favorecer ou prejudicar candidaturas.

Documentos reunidos no processo citam mensagens internas nas quais funcionários da empresa admitiram que a conta de Lula sofreu restrições de impulsionamento de anúncios, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro foi recomendado de forma irregular em buscas. O texto menciona ainda advertências de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o risco de desequilíbrio no pleito.

A Polícia Federal também apurará a veiculação paga de conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro por perfis no exterior sem identificação dos contratantes, o uso de projeções da plataforma Polymarket e eventuais ligações entre o financiamento político e interesses econômicos na exploração de terras raras brasileiras.

A determinação do STF foi enviada a dez órgãos federais, incluindo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Receita Federal e o Banco Central.

Editado por: Rafaella Coury

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