nos braços de Trump

Fuga de Flávio Bolsonaro expõe desinteresse em liderar oposição e medo de investigação, avaliam analistas

Descumprimento de ordem do STF evidencia abandono da base eleitoral em troca de abrigo oferecido pela extrema direita

© Joédson Alves/Agência Brasil
Flávio Bolsonaro, logo após o anúncio da vitória de Lula, declarou que não iria reconhecer o resultado | Crédito: © Joédson Alves/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL) já pode estar em território estadunidense e com promessa de asilo político pelo presidente Donald Trump. O candidato derrotado teria assim descumprido a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) de entregar seus passaportes, após não ter reconhecido a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que, caso a fuga seja confirmada, ficará evidenciado que, assim como o pai, Flávio não se importa com a sua base de eleitores e em fazer política. “Existe uma falta de disposição em fazer uma dinâmica político-partidiária e liderar a oposição com a bancada imensa que eles terão no Congresso Nacional. Parece que eles não têm interesse em fazer política, parece que o interesse é de outra natureza, de se locupletar financeiramente da máquina pública, mas não de travar disputa política”, afirma.

Sem cargo político a partir do dia 31 de janeiro de 2027, Flávio perderia o foro privilegiado. Para Goulart, a eventual fuga “passa recibo” de que ele estaria envolvido em crimes. “Crimes cometidos durante o mandato, existe uma discussão sobre a extensão do foro. Talvez ele tenha se precipitado ou o medo tenha sido tão grande que ele achou melhor se antecipar”, aponta.

A cientista política ressalta “a dimensão sistêmica da extrema direita global”, que mantém uma rede de cooperação mundial, ao avaliar a ajuda de Javier Milei e Donald Trump a Flávio Bolsonaro. “O presidente Lula é alguém muito experiente nas relações internacionais e tem tido bons resultados. Acho que ele vai saber dosar a resposta. Sobre Flávio, acho que ele trabalhou com plano A e plano B: ou ser eleito ou fugir”, resume Mayra Goulart.

O advogado Olavo Hamilton, professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), alerta, no entanto, que “nada é de graça” e que certamente Trump espera algo ao ajudar o filho mais velho de Jair Bolsonaro. “Esse tipo de abrigo não é por acaso. Quando os EUA tomam uma atitude dessa natureza, a pessoa tem que entregar alguma coisa, inclusive informações sensíveis, o que o senador pode ter, já que é senador e filho do ex-presidente”, pontua.

“O que não é aceitável, não é normal, é reprovável que um senador da República, ao lado do irmão e de outras pessoas, de lá dos EUA, tramem contra o Brasil”, avalia.

Além disso, Hamilton acredita que não havia possibilidade, ao menos neste momento, de Flávio ser preso. “A própria retenção do passaporte, que é uma medida cautelar, indica isso”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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