pleito em israel

Genocídio não está na pauta das eleições de Israel, mas, sim, posição anti-Netanyahu, diz pesquisador

Líder da oposição em Israel apoia ocupação de Gaza, mas precisará de partidos palestinos para formar maioria parlamentar

Ônibus circula por Jerusalém com cartaz eleitoral que reúne o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Ônibus circula por Jerusalém com cartaz eleitoral que reúne o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Ahmad Gharabli/AFP

Israel vive eleições para formação do novo parlamento e testa poder de Benjamin Netanyahu, que tem como principal oponente Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas do seu governo. Segundo pesquisas de boca de urna da tarde desta terça-feira (27), a oposição havia conquistado o maior número de assentos, mas isso seria insuficiente para garantir a maioria contra o projeto sionista.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Arturo Hartmann, pesquisador de relações internacionais, explica que a maioria, que seria 61 cadeiras, só seria conseguida com os partidos palestinos. “No noticiário, eles vão dizer os partidos árabes, mas são partidos palestinos. A partir daí, a gente precisaria entender como será formada essa coalizão”, pondera, ao explicar que há confrontos ideológicos importantes entre o partido de Eisenkot e os palestinos, já que o político, embora oposição de Netanyahu, é contra a solução de dois estados. “Esse voto israelense-judaico em torno de uma posição anti-Netanyahu tem a intenção de reconstruir as alianças israelenses.”

É a primeira eleição após o dia 7 de outubro de 2023, quando Israel iniciou seu projeto genocida em Gaza. A oposição vê uma oportunidade de abrir caminho para a responsabilização de Netanyahu e tem trabalhado a narrativa de “uma quebra da imagem de Israel” perante a comunidade internacional.

Contudo, Hartmann pondera que o tema do genocídio, mesmo entre a oposição, não teve espaço e não há um horizonte para o fim dos ataques aos palestinos, mas uma reorganização dessas forças. “É um dos principais temas das eleições [o 7 de outubro]. Mas não vejo como o desmonte da violência, e sim a reelaboração dessa violência israelense e a formatação de um novo modelo de segurança. Os partidos não estão apontando para um caminho de produção de paz ou menos violência contra os palestinos. Eles querem uma violência mais efetiva. Eles vão dizer que Netanyahu falhou em domesticar os palestinos em Gaza”, avalia. “Então tem uma avaliação de alguém que foi soberbo e usou Gaza como um subterfúgio político para se manter no poder”, pontua.

Nesse contexto, segundo Arturo Hartmann, Eisenkot “vira a figura política que se encaixa nesse projeto. E sobre um bloco de esquerda no país, o pesquisador alerta que, “no máximo, o que pode se dizer sobre uma esquerda em Israel é de partidos que não querem mais Netanyahu”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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