já fugiu?

PF rastreia fronteiras para saber se Flávio Bolsonaro saiu do país; Argentina nega entrada

Governo Milei nega entrada do senador na Argentina, e aliados dão versões opostas sobre voo privado rumo aos EUA

O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL)
O senador e candidato derrotado à presidência, Flávio Bolsonaro (PL) | Crédito: Miguel Schincariol/AFP

A Polícia Federal (PF) faz um rastreamento nos pontos de fronteira do Brasil e uma checagem de voos entre o país e a Argentina para verificar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o território nacional. A apuração começou após o site argentino Infobae publicar, na madrugada desta terça-feira (27), que o candidato derrotado por Lula (PT) teria cruzado a fronteira e embarcado em um voo privado rumo aos Estados Unidos, horas depois de ter os passaportes cancelados e ser proibido de sair do país.

Pela checagem feita até agora, Flávio não passou oficialmente por nenhum ponto regular de migração brasileiro, segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, e a de Lauro Jardim, d’O Globo. A PF também acionou autoridades argentinas para saber se há registro da entrada do senador no país vizinho. O governo de Javier Milei nega que ele tenha entrado na Argentina, e aliados do senador dão versões contraditórias sobre a viagem.

Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro havia dito que cumpriria a ordem judicial. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração que é uma clara tentativa de me intimidar”, afirmou.

De acordo com o Infobae, Flávio teria entrado na Argentina usando apenas o documento de identidade, o que é permitido entre países do Mercosul. A decolagem de Puerto Iguazú, na província de Misiones, estaria prevista para as 2h desta terça, no horário local, a bordo de um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, registrado em nome da empresa Baires Fly S.A. Segundo o site, a companhia solicitou os trâmites de aduana e migração para quatro passageiros e três tripulantes. O avião ainda se encontra em terra na ocasião da publicação desta reportagem.

Versões desencontradas

Até a publicação desta reportagem, nenhuma autoridade havia confirmado a saída do senador. O porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, afirmou à agência Bloomberg que Flávio nunca entrou no país e que nenhuma aeronave com as características descritas pela imprensa argentina decolou rumo aos Estados Unidos. Dados do serviço de rastreamento Flightradar24 consultados pelo UOL mostram que a aeronave citada voou de Buenos Aires para Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26), mas não registram decolagem posterior com destino aos Estados Unidos.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, negou a informação. “Não saiu”, disse à coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles. Dois interlocutores que falaram com a segurança de Flávio na manhã desta terça afirmaram à coluna de Lauro Jardim que o senador está em casa.

Outros dois aliados políticos, no entanto, disseram ao SBT News que Flávio atravessou a fronteira com a Argentina e pretendia seguir para os Estados Unidos. Segundo eles, o plano foi montado de última hora e mantido em sigilo, com apenas os dois informados. Pessoas próximas ao senador também afirmaram à emissora que ele se considera alvo de perseguição política desde a derrota e as medidas judiciais que passaram a atingi-lo.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ironizou a notícia em mensagem à colunista do UOL Mariana Sanches: “É o Elon Musk que está mandando um foguete”. A assessoria do senador não havia se manifestado até a última atualização.

Passaportes cancelados

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi tomada na noite de domingo (25), logo após a confirmação da derrota de Flávio, e veio a público na segunda. O ministro cancelou todos os passaportes emitidos em nome do senador e determinou que ele entregasse à PF, em até 24 horas, os documentos comum e diplomático, além de eventuais passaportes de outras nacionalidades. Flávio também está proibido de deixar o país e de se comunicar com o advogado Willer Tomaz “por qualquer meio, direto ou por interposta pessoa”. O prazo de entrega vence nesta terça.

Flávio afirma ter sido abordado por agentes da PF na saída da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília. No vídeo, ele classificou a medida como política e disse que a decisão, que está sob sigilo, se baseou em uma fala de Eduardo, feita na sexta-feira (23), de que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso”, declarou.

A determinação ocorre no momento em que Flávio, depois de anunciar que pediria a anulação da eleição, recuou e passou a concentrar sua ofensiva em pedidos de cassação da chapa de Lula na Justiça Eleitoral.

Editado por: Rafaella Coury

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