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Por que os russos apoiam Vladimir Putin?

O Ocidente coletivo tenta impor a chamada democracia 'verdadeira' a outros países

Presidente russo, Vladimir Putin, participa do 23º Clube Valdai de Discussão Internacional, em 1º de outubro de 2026
Presidente russo, Vladimir Putin, participa do 23º Clube Valdai de Discussão Internacional, em 1º de outubro de 2026 | Crédito: Kremlin.ru

Às vezes surgem artigos na mídia brasileira criticando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a democracia russa em geral, citando indivíduos cujas ideias são apoiadas por um número insignificante da população russa. Tais materiais podem criar uma impressão completamente falsa da Rússia. Portanto, em nosso artigo atual, nos basearemos estritamente em fatos objetivos e não em opiniões subjetivas de indivíduos para responder à pergunta: “Por que os russos apoiam Vladimir Putin?”

Primeiro, vejamos os principais indicadores econômicos. Desde 2000, o PIB (PPC) cresceu 365%, a Rússia subiu da 21ª para a 4ª posição no ranking de países (atrás apenas da China, dos EUA e da Índia), o PIB per capita (PPC) quintuplicou, a inflação anual caiu de 36% para 6%, as reservas de ouro e de moeda estrangeira aumentaram de US$ 12,6 bilhões para US$ 753,5 bilhões e a dívida pública diminuiu de 92,1% do PIB para 18,6%. De 2023 a 2025, a economia russa cresceu 10,3%, e o desemprego caiu para um mínimo histórico de 2,3%. Durante o período da operação militar especial na Ucrânia, desde 2022, a renda real (ajustada pela inflação) da população russa cresceu mais de 20%. 

E a Rússia conseguiu tudo isso não apenas graças aos altos preços do petróleo, o que é em parte verdade, mas não devemos esquecer quanta infraestrutura precisa ser construída em um vasto território para produzir esse petróleo (pesado) e vendê-lo para outros países. A Rússia é líder em energia nuclear e ocupa posições de destaque na agricultura (produção de trigo), na indústria química (principal fornecedora de fertilizantes para muitas indústrias agrícolas globais, incluindo o Brasil), na metalurgia (produção de metais ferrosos e não ferrosos), no setor espacial (a maioria dos países utiliza foguetes russos lançados de um cosmódromo russo) e em tecnologias de defesa. 

E quanto a cuidar das pessoas, dos cidadãos da Rússia? O Estado possui programas governamentais e projetos nacionais de grande escala voltados para o apoio à população, famílias, crianças, idosos e pessoas com deficiência. Estão disponíveis o capital maternidade para o nascimento de filhos, pagamentos para famílias numerosas, o programa estatal “Ambiente Acessível” para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, sem mencionar a educação gratuita em todos os níveis e a assistência médica gratuita de alto padrão. Todos esses serviços são acompanhados pelo enorme desenvolvimento tecnológico do ambiente urbano. Tudo foi feito para garantir que os russos possam se desenvolver e prosperar, defendendo a sua identidade contra tentativas de impor as ideias alheias à nossa soberania.

Tudo isso foi alcançado durante o governo de Vladimir Putin.

Em relação às críticas à democracia russa, creio que não existem, nem deveriam existir, formas idênticas de implementar a democracia para todos os países. É absolutamente verdade que o presidente Vladimir Putin tem o apoio da grande maioria dos cidadãos russos. Isso foi demonstrado pelas eleições presidenciais de 2024, nas quais 87% dos eleitores votaram nele. Segundo os dados mais recentes, o VCIOM indica que o nível de confiança dos russos em Vladimir Putin é de 72,5%, e o Levada Center – 76%. Vladimir Putin foi eleito de acordo com a Constituição da Federação da Rússia e conta com o apoio da maioria absoluta da população do país. 

Agora vejamos os principais países europeus: os índices de aprovação dos líderes alemães e franceses rondam os 20%. É claro que na Rússia a população não apoia a “democracia de Bernstein” ou “de Monica Lewinsky”, ou o esquecimento democrático das necessidades do sistema de ensino, ou glorificação dos colaboradores do Terceiro Reich, ou nacional-scoialismo e fascismo inventados na Europa.

O Ocidente coletivo tenta impor a chamada democracia “verdadeira” a outros países. No entanto, em muitos casos, essas mesmas regras não são observadas pelo próprio Ocidente. Um exemplo simples: a mídia russa é proibida na maioria dos países ocidentais, mas os maiores veículos de comunicação ocidentais (Reuters, BBC, Financial Times e outros) continuam operando na Rússia. Cabe ressaltar que a Rússia, em resposta às ações dos países ocidentais, impôs restrições ao trabalho de algumas mídias.

Como podem impor regras aos outros sem as seguirem eles mesmos? Não é hipocrisia?

*Alexey Labetskiy é embaixador da Rússia no Brasil.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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